A estudante Luisa Moreira, brasileira que acaba de ingressar em uma das maiores e mais tradicionais universidades dos EUA, traz suas expectativas de futuro e visão de mundo
Luisa Moreira, brasileira, jovem, discreta e determinada. Quando liguei para ela (em um sábado, enquanto almoçava com sua família) e disse: 'Olá Luisa, tudo bem consigo? Parabéns por ser aplicada na Wharton', a resposta dela foi contundente: 'Grata'! Simples assim. A convidei para uma entrevista na The Winners e novamente ela foi direta: 'Eu? Por que?' A resposta estava na ponta da língua: 'você representa o sonho de muitos jovens que buscam a evolução profissional através de estudos e conhecimento'. E ela aceitou. Assim foi o início dessa bela entrevista com Luisa, a qual você vai ler a seguir.
The Winners - Como foi a sua escolha e decisão de pais e universidade no exterior?
Luisa Moreira - Desde pequena, sempre me vi estudando fora, não apenas pelo incentivo dos meus pais e familiares, mas pela vontade de expandir meu repertório, me confrontar com outras realidades e crescer com elas. Os Estados Unidos me parece o destino natural de excelência acadêmica com um ambiente que valoriza a iniciativa individual. A Wharton, por sua vez, é um espaço onde eu poderia aliar meu desejo de empreender com propósito à formação técnica necessária para isso.

TW - Você foi aceita na Wharton School, Universidade da Pensilvânia, fundada em 1881, que é considerada a primeira escola de negócios do mundo. Conte como foi seu processo de estudo e dedicação que lhe garantiu a entrada na Wharton.
LM - O processo foi intenso e exigiu não apenas preparo acadêmico, mas também um mergulho profundo na minha própria história. Os estudos foram importantes, claro meu currículo no IB me desafiou academicamente e me preparou para o ritmo rigoroso da Wharton. Mas além das notas, o diferencial foi mostrar como as experiências que vivi, como ter fundado um clube de debates e projetos sociais diversos, traduzem um compromisso real com a mudança.
TW - Wharton é conhecida por seu foco e formação analítica, além do rigor absoluto quantitativo. O que espera encontrar nesta jornada?
LM - Espero me tornar mais fluente na linguagem dos dados e dos números, mas sem perder a sensibilidade humana que o empreendedorismo requer. O rigor analítico seria uma ferramenta para mim. Quero aprender a usar esses conhecimentos para tomar decisões que tenham impacto especialmente no Brasil, onde ainda temos muitos desafios sociais e econômicos a enfrentar.
TW - A rede de ex-alunos da Wharton é reconhecida como forte e poderosa, com mais de 105 mil ex-alunos em 150 países, incluindo CEOs, Ministros de Governos, grandes empresários, empreendedores, além de muitos líderes de finanças globais. Qual seu objetivo profissional e sonho de carreira?
LM - Meu sonho é fundar negócios de impacto social que sejam sustentáveis e escaláveis. Me inspiro em pessoas que transformaram seu sucesso pessoal em ferramentas de transformação coletiva. A rede de ex-alunos da Wharton é, sem dúvida, uma alavanca poderosa - não apenas pelo networking, mas pela troca de ideias e valores.

TW - O mundo privado é a sua preferência ou o setor público?
LM - Acredito que ambos os setores têm papéis essenciais, mas minha vocação está no setor privado, por enquanto. Mas nunca descartaria colaborações com o setor público, especialmente em políticas de desenvolvimento econômico e inclusão social.
TW - Qual campus da Wharton você vai cursar?
LM - Vou estudar no campus principal, na Filadélfia. A infraestrutura é incrível, mas o que mais me atrai é o ambiente de troca intelectual, onde pessoas do mundo inteiro compartilham visões de mundo, ideias de negócios e experiências de vida.
TW - Seu curso vai estar ancorado na base de Estudos Econômicos, em conjunto com a Penn Collet of Arts & Sciences ou finanças, estatística e gestão?
LM - Meu curso será ancorado na base de Estudos Econômicos com ênfase em gestão e inovação social. A partir do terceiro ano, também pretendoexplorar disciplinas em finanças e estatística, poisentendo a importância dos números em gerar soluções eficazes.
TW - Dizem que os ex-alunos da Whorton ficam nela uma vida, concluindo cursos de Extensão, MBA e Pós doutorado, isso faz partedo seu projeto?
LM - Depende muito.
TW - A excelência acadêmica da Wharton formou uma linha rara e de altíssimo nível de professores. Passa pelos seus planos vir a ser uma professora com esse gabarito?
LM - Talvez, um dia, tendo bastante experiência de carreira, poderia ajudar outros jovens a seguirem o mesmo caminho!
TW - De zero a 10, que nota você dá para o mundo que conhece faz menos de três décadas?
LM - Dou nota 6. Avançamos muito em tecnologia, ciência e inclusão, nos últimos anos, mas ainda carregamos desigualdades brutais e uma desconexão crescente com o planeta. Minha geração herda um mundo complexo, cheio de contradições e é nossa responsabilidade não apenas manter o que já existe, mas criar novas formas de viver com mais equilíbrio, empatia e justiça.
TW - Qual o sentimento dos jovens em relação ao mundo, na sua percepção?
LM - Há um misto de angústia e esperança. Vivemos conectados, informados, conscientes, mas também sobrecarregados. Muitos de nós sentem que precisam "salvar o mundo" sozinhos. Mas vejo também uma juventude engajada, que não tem medo de se posicionar, de cobrar, de criar.
TW - Quais foram as grandes transformações que você assistiu na sua tenra idade e o que elas modificaram na sua forma de pensar?
LM - A pandemia foi uma das fases mais marcantes. Aprendi a lidar com o silêncio, com a incerteza, e a valorizar minha saúde mental e uma comunidade que me apoia. Outra transformação foi descobrir meu lado empreendedor - perceber que eu podia agir, criar e causar impacto mesmo sendo jovem.
TW - Se pudesse fechar os olhos e se transportar para 10 anos à frente, que imagem você gostaria de ver?
LM - Gostaria de ver um Brasil mais igualitário, onde meninas do interior ou da periferia têm acesso à educação de excelência. Desejo criar pontes entre o que aprendi fora e o que desejo construir
dentro do meu país natal.
TW - O que mais motiva a sua determinação pelos estudos?
LM - Saber que só eu posso me proporcionar a realização dos meus desejos, e que nada seria oferecido na minha mão sem determinação e esforço. Se quero notas boas, só eu posso me proporcionar isso. Também tenho a consciência de que o conhecimento é libertador, e quanto mais eu conheço, melhor eu sou.
TW - Que mensagem você poderia deixar aqui para os jovens do Brasil e do mundo, nesta quadra de tantas mudanças, chegadas permanentes e diárias de novas tecnologias?
LM - O mundo está mudando rapidamente,mas o que nos define é a forma como escolhemos responder. Não se deixem paralisar pelo medo ou pela comparação. Busquem sua voz, cultivem seus talentos e se conectem com causas maioresdo que vocês.
The Winners nº 81
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