Por outro lado, o controlador, José Seripieri Júnior, não tem urgência para bater o martelo
Por Wilian Miron (Broadcast), Altamiro Silva Junior (Broadcast) e Gabriel Baldocchi (Broadcast)
Os fundos interessados em comprar a Amil já estão na fase de revisão dos números da empresa e têm pressa para fechar negócio. A Advent e a Bain Capital, que se juntaram para apresentar uma proposta pelo grupo, tem intenção de bater o martelo antes das eleições presidenciais, em outubro, apurou a Coluna. Já do lado da companhia, não há por parte do controlador, José Seripieri Júnior, pressa em fechar o negócio.
Os dois fundos estão negociando diretamente com Júnior há alguns meses. A transação é estimada em ao menos R$ 10 bilhões, mas pode superar R$ 15 bilhões, segundo fontes. Se considerada a faixa inferior, o número representaria cerca de 6,5 vezes o lucro ajustado da companhia, bem abaixo do registrado pela Rede D'Or (16,5 vezes) e em linha com a avaliação da Hapvida, segundo cálculos dos analistas do JP Morgan, em relatório publicado depois que a Broadcast noticiou as negociações, em junho.
Um dos principais pontos ainda em aberto da negociação é o formato da eventual venda. Júnior estaria disposto a se desfazer de cerca de 30% da Amil, enquanto os potenciais compradores buscam adquirir 100% da companhia, repetindo uma estratégia já adotada em outras operações. A diferença está ligada à visão sobre o negócio: enquanto os compradores buscam o controle integral, Júnior não trata a operação como uma simples venda para realização de lucro, mas como uma oportunidade de fortalecer a empresa e continuar crescendo no mercado de saúde.
Empresa virou 'queridinha' do setor
A Amil é hoje a terceira em número de vidas do setor, com pouco mais de 3,5 milhões de beneficiários. Desde que voltou das mãos da gigante americana United Health ao controle dos brasileiros, em 2023, a empresa recuperou mercado, reduziu as dívidas e voltou ao azul. Hoje, fatura mais de R$ 30 bilhões ao ano e é vista como uma das queridinhas do setor.De acordo fontes próximas à negociação, o objetivo do controlador não é simplesmente colocar dinheiro no bolso com a venda da companhia, mas injetar recursos para acelerar o crescimento e buscar no mercado os ativos que façam sentido para o projeto de expansão por meio de aquisições de prestadores de serviços como hospitais, clínicas e redes de diagnósticos.
Com isso, seria possível usar os recursos para acelerar o crescimento e fortalecer a posição da Amil no mercado de saúde, colocando a empresa em um novo patamar de escala e estrutura, aproximando a companhia de modelos como o da Rede D'Or, que além da rede hospitalar possui também a SulAmérica e no ano passado tentou comprar o Fleury.
Essa estratégia, quando colocada em prática, ampliará a verticalização da companhia e permitirá a entrada em novas praças, o que deve fazer da nova Amil uma empresa ainda mais robusta numa futura abertura de capital (IPO, da sigla em inglês) na Bolsa. A Amil já havia sido listada no passado depois de fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em 2007, ainda sob o comando da família Godoy Bueno, fundadora do grupo.
Em uma mensagem interna a funcionários no final de junho, a Amil admitiu que está aberta a "construir parcerias estratégicas" com sócios, aumentando a capacidade de investimento e expansão da operadora de saúde, com a venda de fatia minoritária, mas sem se desfazer do controle.
Namoro é antigo
O namoro da Bain com a Amil é antigo. A gestora já havia tentado comprar a companhia sozinha há algum tempo, mas as conversas não avançaram. Por isso, juntou forças com a Advent. A gestora tem interesse em trazer o time que tocava a Notredame Intermedica, que se juntou com a Hapvida. O CEO da empresa na gestão da Bain era Irlau Machado Filho, apontado como nome forte a participar da gestão num eventual negócio.A pessoas próximas ao empresário, a visão transmitida é de que os atuais donos da Amil já têm patrimônio suficiente e querem continuar atuando no setor de saúde, ampliando a presença da companhia. "Eles são do mercado de saúde, então esse é o jogo que eles sabem fazer, são bons nisso, e querem continuar. Não é como um fundo que chega num determinado momento precisa vender sua participação", disse uma dessas fontes. Nesse sentido, a entrada de um novo investidor seria uma forma de financiar um ciclo de crescimento, e não necessariamente de marcar a saída dos atuais controladores do negócio.
Procuradas, Advent e Bain não comentaram. A Amil não respondeu até a publicação deste texto.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 11/08/2026, às 17:59
Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/coluna-do-broad/fundos-tem-pressa-e-buscam-fechar-compra-da-amil-antes-das-eleicoes





