Lula entrega trecho reformado da BR-116 (Via Dutra) (Foto: Ricardo Stuckert/PR) |
Lula faz barba, cabelo e bigode no Rio

Lula faz barba, cabelo e bigode no Rio

E os vizinhos não podem reclamar de protecionismo político. São Paulo e Minas, de Tarcísio e Zema, também têm sido contemplados pelo republicanismo federal


Por Marco Damini

Em três gestos sucessivos, durante sua passagem entre ontem e hoje pelo Rio de Janeiro, o presidente Lula fincou as bases para a reconstrução econômica do Rio de Janeiro. Essa é a dimensão dos compromissos assinados e, como era de se esperar, comemorados por ele, ao lado de autoridades e agentes políticos. O ponto estratégico, sem dúvida, está na adesão do estado ao Propag, firmada pelo governador interino Ricardo Couto, que vai resultar na redução e no alongamento da dívida do governo estadual com a União.

Também ontem, junto do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, o presidente anunciou a destinação de R$ 702,9 milhões em verbas para dinamizar o programa Nova PAC Periferia Viva no Rio de Janeiro. Os recursos irão patrocinar obras de urbanização em favelas que reúnem mais de 30 mil famílias.


Nesta terça-feira (23), Lula subiu a Serra das Araras para inaugurar um trecho de quatro quilômetros de modernização da pista de subida da Dutra, em meio a obras que se desenvolvem nos últimos dois anos, em 34 frentes de trabalho simultâneas na rodovia, que têm gerado cerca de dois mil empregos diretos. A intenção é abrir os gargalos e tornar mais segura a principal conexão no corredor estratégico que liga as duas maiores metrópoles do País. Lá estava, entre outros líderes políticos do estado, o ex-presidente da Alerj André Siciliano.

Lula, é certo, está em pré-campanha de reeleição à Presidência da República e tem no estado amigos e aliados, entre os quais, o pré-candidato a governador Eduardo Paes. Mas que isso não sirva de argumento para críticas. Para ficarmos nos vizinhos do Rio, em dezembro, a gestão federal acatou a adesão de Minas Gerais ao mesmo Propag, consolidando uma renegociação de dívida de cerca de R$ 181 bilhões. Um alívio para o caixa, e uma boa história para contar, da gestão do então governador Romeu Zema. Como se sabe, um político 100% de oposição a Lula e a tudo o que a ele se refere.

O mesmo se dá entre o presidente e o carioca radicado em São Paulo, Tarcísio de Freitas. Apesar de ter sido integrante do governo Dilma Rousseff, o coronel da reserva do Exército tornou-se um obediente bolsonarista. Depois de um momento de entendimento com Lula, quando da assinatura do convênio entre os governos federal e estadual para a construção do túnel Santos-Guarujá, ainda em fevereiro do ano passado, Tarcísio passou à hostilização. Ok, faz parte. Para a obra que o governador paulista divulga em sua pré-campanha, apesar de ela ainda não ter começado - a gestão de Tarcísio levou quase um ano para criar um CNPJ que pudesse receber as verbas federais para a construção do túnel -, a gestão Lula tem o compromisso de dedicar mais de R$ 2 bilhões.

O Rio não está sozinho, portanto, no recebimento do apoio financeiro do governo federal. Ao contrário, está incluído em uma postura de governo que tem praticado muito mais uma gestão republicana, equilibrada diante dos entes federativos, do que uma visão pautada pelo imediatismo eleitoral de interesses políticos e partidários. Eles existem, como sempre, e isso não é um problema. É apenas uma característica da democracia.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Marco Damiani é jornalista e diretor da sucursal do Brasil 247 no Rio de Janeiro. Já foi editor de Istoé, Istoé Dinheiro e atuou em Veja e Estado de S. Paulo.

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