Estimativa é da consultoria Deloitte; Aneel aprovou regulação inicial para o segmento
Por Luciana Collet (Broadcast)
O Brasil pode viabilizar investimentos de mais de R$ 57 bilhões nos próximos dez anos em sistemas de armazenamento em baterias, os chamados BESS, na sigla em inglês. A estimativa consta em relatório elaborado pela consultoria Deloitte.
O levantamento, feito antes da definição da regulação inicial do segmento, aprovada hoje, 2, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), destaca justamente a necessidade de avançar de forma efetiva em uma agenda regulatória e de desenho de mercado para tornar as projeções em realidade.
Passo relevante foi dado hoje, com a decisão da Aneel de determinar a cobrança da tarifa de uso da rede apenas na fase de descarregamento das baterias (injeção de energia), evitando a dupla tarifação com uma eventual cobrança também no carregamento (consumo), nos casos de empreendedores que optarem por ser integralmente despachados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Já os empreendedores autônomos, que não serão despachados pelo Operador, pagarão tanto pela geração quanto pelo consumo.
Primeiro leilão deve ocorrer em dezembro
Adicionalmente, o Ministério de Minas e Energia informou nesta terça-feira ter assinado uma portaria com as diretrizes para o primeiro leilão de baterias do País, que deve ser realizado em dezembro deste ano.
O diretor de Power & Utilities da Deloitte, Jovanio Santos, estima que neste primeiro leilão a demanda deve ficar em torno de 1,7 gigawatt (GW), embora admita que, pelos dados projetados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), haveria espaço para até 2,5 GW. "Não será criada capacidade para poder inserir outra tecnologia no sistema", disse.
Para ele, as baterias de larga escala são uma tecnologia importante para o Brasil desenvolver tendo em vista o crescente volume de energia eólica e solar que precisa ser cortada do sistema (curtailment) atualmente. A tecnologia permite acumular energia excedente em momentos de baixa demanda ou alta produção e utilizá-la quando a demanda aumenta ou a geração é reduzida, o que ajuda a dar flexibilidade e confiabilidade à operação do sistema.
"Terminamos o ano passado com uma média de 21% de energia cortada, muito por conta da questão energética, ou seja, mais geração de energia do que carga para ser absorvida, e até 14 de maio estamos com uma média de quase 18% de curtailment total, muito em função de questão energética", justificou.
Diante disso, Santos afirma que, além das baterias, é necessário avançar nas discussões da regulação das usinas reversíveis. "Elas servem para flexibilidade sazonal, de longo prazo, interanual, enquanto a bateria é mais para uma flexibilidade intradiária ou no mês, de mais curto prazo", disse.
Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/coluna-do-broad/investimento-em-baterias-no-brasil-pode-alcancar-r-57-bi-em-10-anos-diz-estudo/
O Brasil pode viabilizar investimentos de mais de R$ 57 bilhões nos próximos dez anos em sistemas de armazenamento em baterias, os chamados BESS, na sigla em inglês. A estimativa consta em relatório elaborado pela consultoria Deloitte.
O levantamento, feito antes da definição da regulação inicial do segmento, aprovada hoje, 2, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), destaca justamente a necessidade de avançar de forma efetiva em uma agenda regulatória e de desenho de mercado para tornar as projeções em realidade.
Passo relevante foi dado hoje, com a decisão da Aneel de determinar a cobrança da tarifa de uso da rede apenas na fase de descarregamento das baterias (injeção de energia), evitando a dupla tarifação com uma eventual cobrança também no carregamento (consumo), nos casos de empreendedores que optarem por ser integralmente despachados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Já os empreendedores autônomos, que não serão despachados pelo Operador, pagarão tanto pela geração quanto pelo consumo.
Primeiro leilão deve ocorrer em dezembro
Adicionalmente, o Ministério de Minas e Energia informou nesta terça-feira ter assinado uma portaria com as diretrizes para o primeiro leilão de baterias do País, que deve ser realizado em dezembro deste ano.
O diretor de Power & Utilities da Deloitte, Jovanio Santos, estima que neste primeiro leilão a demanda deve ficar em torno de 1,7 gigawatt (GW), embora admita que, pelos dados projetados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), haveria espaço para até 2,5 GW. "Não será criada capacidade para poder inserir outra tecnologia no sistema", disse.
Para ele, as baterias de larga escala são uma tecnologia importante para o Brasil desenvolver tendo em vista o crescente volume de energia eólica e solar que precisa ser cortada do sistema (curtailment) atualmente. A tecnologia permite acumular energia excedente em momentos de baixa demanda ou alta produção e utilizá-la quando a demanda aumenta ou a geração é reduzida, o que ajuda a dar flexibilidade e confiabilidade à operação do sistema.
"Terminamos o ano passado com uma média de 21% de energia cortada, muito por conta da questão energética, ou seja, mais geração de energia do que carga para ser absorvida, e até 14 de maio estamos com uma média de quase 18% de curtailment total, muito em função de questão energética", justificou.
Expansão de renováveis seguirá forte
O relatório da Deloitte diz que a trajetória de expansão das renováveis seguirá forte no médio prazo no Brasil, puxada pela carteira de projetos de solar fotovoltaica e eólica e pela geração distribuída. A estimativa é que a capacidade instalada da micro e minigeração distribuída (MMGD) alcance 69 GW em 2030, mais de um quinto da capacidade instalada total, o que amplia os desafios operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN). Isso porque a "rampa de carga", ou seja, a taxa de variação da demanda ao longo do dia, deve superar os 52 GW até o fim da década, segundo dados do ONS, o que exigirá alta flexibilidade.Diante disso, Santos afirma que, além das baterias, é necessário avançar nas discussões da regulação das usinas reversíveis. "Elas servem para flexibilidade sazonal, de longo prazo, interanual, enquanto a bateria é mais para uma flexibilidade intradiária ou no mês, de mais curto prazo", disse.
Estadão
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