Ex-ministro faz 'intensivo' sobre o Estado para enfrentar Tarcísio de Freitas, busca ampliar candidatura com alianças e evita discutir rumores sobre papel como eventual sucessor de Lula
Por Joelmir Tavares
A pré-candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo traçou como meta estruturar um palanque para vencer o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas também impulsionar a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
Um dos argumentos que passaram a ser usados para aglutinar forças em torno de Haddad é o que vem sendo chamado de "risco democrático" representado por Flávio. A avaliação no entorno é a de que o petista pode angariar o apoio de setores políticos e do eleitorado preocupados com ameaças à democracia, por causa do histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
O próprio Haddad vem expressando temor com o futuro do país, caso os Bolsonaros consigam voltar ao poder. Durante uma reunião fechada nesta semana, o ex-ministro alertou para o que considera como "normalização" da candidatura do senador, sem levar em conta o risco institucional. A pré-campanha do PL tem buscado apresentar Flávio como moderado e evitado temas que possam prejudicá-lo neste momento.
Nos cálculos da pré-campanha do PT, Haddad tem que ajudar Lula a conquistar uma votação expressiva em São Paulo - Estado que é o maior colégio eleitoral do país, com cerca de 35 milhões de eleitores, o equivalente a 20% dos votantes no país. O ex-ministro já confidenciou que se dará por satisfeito se ao menos seu desempenho contribuir para a eventual reeleição do presidente. Lideranças do PT têm a expectativa de impor uma disputa acirrada a Tarcísio, que detém o favoritismo.
Há quatro anos, quando concorreu contra Tarcísio no pleito estadual, Haddad teve 44,7% dos votos no segundo turno, enquanto o governador conquistou 55,2%. No Estado, Lula recebeu 53,4% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro ficou com 46,4%. A projeção do PT é que São Paulo poderá novamente contribuir para a votação de Lula, compensando a derrota em outras regiões.
Segundo interlocutores que estiveram recentemente com Haddad e falaram sob reserva ao Valor, o pré-candidato sinaliza que usará a campanha para discutir questões locais, mas também abordará assuntos nacionais e internacionais, como o avanço da extrema-direita - como forma de desgastar, ao mesmo tempo, o atual governador e o presidenciável, que são aliados. Ele deve demarcar diferenças com o bolsonarismo, numa tentativa de fortalecer Lula.
Haddad subiu o tom contra Flávio nos últimos dias. Nas redes sociais, passou a chamá-lo pejorativamente de "Bolsonarinho", termo que vem sendo incorporado por outros petistas para fustigar o adversário nacional.
O esforço para turbinar o palanque do PT em São Paulo passa pela montagem da chapa e das alianças, hoje restritas ao campo da esquerda, já que Tarcísio atraiu os principais partidos de direita e centro. Haddad tem sido cobrado por apoiadores a fazer gestos para ampliar sua candidatura, nos moldes da chamada "frente ampla" que elegeu Lula, e demonstra concordar com essa necessidade.
Quando questionado, o pré-candidato responde que a configuração da chapa será decidida mais adiante, em conjunto com partidos aliados. Ele tem sido aconselhado a dialogar com setores distintos, sob o argumento de que uma candidatura totalmente à esquerda em São Paulo está fadada ao fracasso.
Não foi definido ainda, por exemplo, quem ocupará a vaga de vice, mas a intenção é encontrar um nome que ajude a quebrar resistências em setores como o agronegócio e o empresariado, mais próximos da direita.
Para as duas vagas ao Senado, há um impasse, diante da apresentação das pré-candidaturas de Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Nos últimos dias, a possibilidade de Tebet ser deslocada para a vice começou a ser aventada, mas a ex-ministra resiste à ideia.
Ao mesmo tempo, o ex-ministro indica disposição de fazer uma campanha que seja, em suas palavras, "decente, limpa e propositiva", evitando embates rasteiros com Tarcísio. Haddad diz que pretende repetir o nível do enfrentamento entre eles em 2022, discutindo assuntos que interessam ao eleitor paulista.
Antecipando-se ao desgaste do apelido "Taxad", aplicado por detratores por seu período como ministro da Fazenda de Lula, Haddad discute com sua equipe a possibilidade de assumir como resposta que taxou, sim, mas com focos específicos: segmento da alta renda, instituições do setor financeiro que pagavam menos imposto do que deveriam e "bets". Com isso, vai tentar resgatar o discurso de justiça tributária, adotado pelo governo federal na defesa da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/04/24/haddad-mira-palanque-forte-para-lula-em-sp-contra-risco-democratico-de-flavio-bolsonaro.ghtml
A pré-candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo traçou como meta estruturar um palanque para vencer o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas também impulsionar a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
Um dos argumentos que passaram a ser usados para aglutinar forças em torno de Haddad é o que vem sendo chamado de "risco democrático" representado por Flávio. A avaliação no entorno é a de que o petista pode angariar o apoio de setores políticos e do eleitorado preocupados com ameaças à democracia, por causa do histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
O próprio Haddad vem expressando temor com o futuro do país, caso os Bolsonaros consigam voltar ao poder. Durante uma reunião fechada nesta semana, o ex-ministro alertou para o que considera como "normalização" da candidatura do senador, sem levar em conta o risco institucional. A pré-campanha do PL tem buscado apresentar Flávio como moderado e evitado temas que possam prejudicá-lo neste momento.
Nos cálculos da pré-campanha do PT, Haddad tem que ajudar Lula a conquistar uma votação expressiva em São Paulo - Estado que é o maior colégio eleitoral do país, com cerca de 35 milhões de eleitores, o equivalente a 20% dos votantes no país. O ex-ministro já confidenciou que se dará por satisfeito se ao menos seu desempenho contribuir para a eventual reeleição do presidente. Lideranças do PT têm a expectativa de impor uma disputa acirrada a Tarcísio, que detém o favoritismo.
Há quatro anos, quando concorreu contra Tarcísio no pleito estadual, Haddad teve 44,7% dos votos no segundo turno, enquanto o governador conquistou 55,2%. No Estado, Lula recebeu 53,4% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro ficou com 46,4%. A projeção do PT é que São Paulo poderá novamente contribuir para a votação de Lula, compensando a derrota em outras regiões.
Segundo interlocutores que estiveram recentemente com Haddad e falaram sob reserva ao Valor, o pré-candidato sinaliza que usará a campanha para discutir questões locais, mas também abordará assuntos nacionais e internacionais, como o avanço da extrema-direita - como forma de desgastar, ao mesmo tempo, o atual governador e o presidenciável, que são aliados. Ele deve demarcar diferenças com o bolsonarismo, numa tentativa de fortalecer Lula.
Haddad subiu o tom contra Flávio nos últimos dias. Nas redes sociais, passou a chamá-lo pejorativamente de "Bolsonarinho", termo que vem sendo incorporado por outros petistas para fustigar o adversário nacional.
Sucessor de Lula
O ex-ministro, que já teve o nome especulado como possível sucessor de Lula, mas se recusa a comentar o assunto, cedeu a pressões para concorrer novamente ao governo estadual, por entender que o cenário nacional é desafiador para o PT e que o partido precisa de candidato competitivo em São Paulo. Em pesquisa Datafolha de março, Tarcísio apareceu com 44% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 31%.O esforço para turbinar o palanque do PT em São Paulo passa pela montagem da chapa e das alianças, hoje restritas ao campo da esquerda, já que Tarcísio atraiu os principais partidos de direita e centro. Haddad tem sido cobrado por apoiadores a fazer gestos para ampliar sua candidatura, nos moldes da chamada "frente ampla" que elegeu Lula, e demonstra concordar com essa necessidade.
Quando questionado, o pré-candidato responde que a configuração da chapa será decidida mais adiante, em conjunto com partidos aliados. Ele tem sido aconselhado a dialogar com setores distintos, sob o argumento de que uma candidatura totalmente à esquerda em São Paulo está fadada ao fracasso.
Não foi definido ainda, por exemplo, quem ocupará a vaga de vice, mas a intenção é encontrar um nome que ajude a quebrar resistências em setores como o agronegócio e o empresariado, mais próximos da direita.
Para as duas vagas ao Senado, há um impasse, diante da apresentação das pré-candidaturas de Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Nos últimos dias, a possibilidade de Tebet ser deslocada para a vice começou a ser aventada, mas a ex-ministra resiste à ideia.
Campanha 'propositiva'
O comando da campanha estadual do PT difunde a mensagem de que Tarcísio "não fez um bom governo" e mapeia os temas vistos como mais negativos para o governador. Um dos pontos explorados são efeitos colaterais da privatização da Sabesp. Haddad começou um "intensivo" sobre o Estado e, nas últimas cinco semanas, desde que foi lançado pré-candidato, está debruçado sobre dados de diferentes áreas da gestão.Ao mesmo tempo, o ex-ministro indica disposição de fazer uma campanha que seja, em suas palavras, "decente, limpa e propositiva", evitando embates rasteiros com Tarcísio. Haddad diz que pretende repetir o nível do enfrentamento entre eles em 2022, discutindo assuntos que interessam ao eleitor paulista.
Antecipando-se ao desgaste do apelido "Taxad", aplicado por detratores por seu período como ministro da Fazenda de Lula, Haddad discute com sua equipe a possibilidade de assumir como resposta que taxou, sim, mas com focos específicos: segmento da alta renda, instituições do setor financeiro que pagavam menos imposto do que deveriam e "bets". Com isso, vai tentar resgatar o discurso de justiça tributária, adotado pelo governo federal na defesa da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/04/24/haddad-mira-palanque-forte-para-lula-em-sp-contra-risco-democratico-de-flavio-bolsonaro.ghtml





