Após mais de um adiamento, secretário Guilherme Afif diz que preocupações do mercado foram esclarecidas
Por Taís Hirata - São Paulo
A Parceria Público-Privada (PPP) do novo centro administrativo do governo de São Paulo deverá ser licitada no dia 26 de fevereiro. A expectativa é de concorrência, segundo Guilherme Afif Domingos, secretário especial de Projetos Estratégicos do Estado. Ele afirma que hoje há ao menos dois interessados.
O contrato de 30 anos prevê um investimento de R$ 6,1 bilhões em obras (a valores de julho de 2025), dos quais ao menos R$ 3,4 bilhões serão pagos pelo Estado, para a construção dos edifícios. O concessionário também deverá receber contraprestações públicas mensais, com valor máximo de R$ 76,6 milhões, para viabilizar a operação. No leilão, caso de fato haja competição, o valor poderá cair, dado que o critério da concorrência será o maior desconto sobre os pagamentos mensais.
A licitação, inicialmente marcada em 2025, foi postergada a pedido de interessados. Afif diz que não acredita em um novo adiamento, dado que pontos de preocupação apontados pelas empresas foram mitigados.
"Os adiamentos são motivados por solicitações de esclarecimento feitas pelos interessados. Um receio de muitos era a respeito das desapropriações de interesse social. São pontos que equacionamos bastante. Hoje, toda a parte de desapropriação ainda fica por conta da concessionária, mas pediram uma assistência especial no caso das de interesse social. O Estado vai dar assistência", afirmou.
A expectativa do governo é fazer as desapropriações ainda neste ano, para que em 2027 a área esteja disponível para a construção, disse o secretário. No caso das desapropriações de interesse social, ele afirma que a gestão já tem um planejamento de realocação das famílias, e que as informações serão passadas para que o operador faça o trabalho.
O projeto prevê a construção de dez torres, com um total de 288 mil m2, no centro da capital paulista. Os edifícios deverão abrigar toda a administração da gestão estadual. O operador privado também deverá cuidar da gestão e da manutenção predial, com serviços como limpeza e segurança.
"Será um choque de investimento que há muito tempo a cidade de São Paulo não vê. Serão R$ 6 bilhões em um prazo de 5 anos. Serão 22 mil funcionários que passarão a ocupar a área. E não são prédios fechados, eles se comunicam com a cidade", disse.
Afif também afirmou que o projeto deverá estimular o mercado imobiliário na região. "Há um esgotamento de terrenos em regiões incentivadas, perto das linhas de metrô. Esses terrenos hoje estão sendo muito disputados fora do centro, enquanto no centro tem área disponível, com o melhor sistema de transporte da cidade."
Valor
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/02/17/governo-de-sp-preve-competicao-em-leilao-de-novo-centro-administrativo-em-26-de-fevereiro.ghtml





