Presidente terá cenário de dificuldades no Legislativo com crescimento da oposição, liderada pelo PL de Flávio Bolsonaro
Por Vera Rosa
BRASÍLIA - O PT vai apoiar a recondução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em 1.º de fevereiro de 2027. Um dia após ser reeleito para o quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com os dois nesta segunda-feira, 26, no Palácio da Alvorada, e conversou sobre a renovação da aliança e a governabilidade no Congresso.
Lula aposta na dupla Motta-Alcolumbre para ajudá-lo a formar uma nova correlação de forças em um Congresso que saiu das urnas com maioria ainda mais conservadora, sobretudo com o fortalecimento do PL do senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na disputa presidencial.
A estratégia consiste em atrair novamente líderes do Centrão - mesmo aqueles que, do primeiro para o segundo turnos, se postaram ao lado de Flávio -, além de uma ala do MDB.
Ao fazer um pronunciamento na noite deste domingo, 25, logo após ser reeleito, Lula citou o Congresso para garantir que não está preocupado com a possibilidade de encontrar um ambiente hostil ali.
"Já tem gente falando: 'O Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador'. Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas", afirmou.
Após a derrota nas urnas, o PL promete fazer ferrenha oposição ao quarto mandato do presidente. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi coordenador da campanha de Flávio, pretende lançar sua candidatura à presidência da Casa comandada por Alcolumbre. Além dele, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, também almeja o posto.
O PL tem agora as maiores bancadas da Câmara e do Senado. Com 121 deputados, o partido ainda negocia quem apoiar para a direção da Casa de Salão Verde. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), desistiu de entrar no páreo após a vitória de Lula e uma ala da sigla avalia que é melhor dar respaldo a Motta. Há, ainda, os que não desejam aderir à campanha pela recondução do presidente da Câmara porque ele se aliou a Lula e querem que o Republicanos troque de candidato. Motta, porém, já tem o aval do Centrão e de várias outras legendas, como MDB, PSD, Podemos, PDT e PSB.
Durante a conversa no Alvorada, Lula também pediu a Alcolumbre empenho para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que amplia as atribuições da União para combater o crime organizado. O tema foi retirado da pauta de votação pouco antes do segundo turno por causa de divergências em relação à redução da maioridade penal.
Pressionado por cobranças de eleitores sobre a violência, Lula mudou de posição sobre o assunto e disse ser a favor de diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos. Mas quer que a PEC da Segurança seja votada primeiro porque, se for encaixada qualquer emenda no texto, a proposta terá de ser analisada novamente pela Câmara e tudo vai demorar ainda mais. O presidente prometeu criar o Ministério da Segurança logo que o Senado der sinal verde para a PEC.
Em nota, Alcolumbre disse que esteve no Alvorada nesta segunda-feira, acompanhado de Motta, para cumprimentar Lula pela vitória nas urnas. O presidente do Senado afirmou, ainda, ter compromisso com o diálogo institucional e a construção de entendimentos. "Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente", observou ele.
Estadão
https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/lula-diz-a-motta-e-alcolumbre-que-pt-vai-apoiar-reconducao-dos-dois-e-acerta-pauta-no-congresso





