Lula e Flávio durante altercação no debate eleitoral da Band, na noite de domingo (18) - Eduardo Knapp - 18.out.26/Folhapress |
Datafolha: 46% rejeitam só Flávio Bolsonaro, e 45%, só Lula

Datafolha: 46% rejeitam só Flávio Bolsonaro, e 45%, só Lula

  • Avaliação negativa do governo do petista é de 39%, e positiva, de 36%
  • Debate agressivo na TV entre os rivais explicitou tática de buscar elevar a demonização do adversário

Igor Gielow

A três dias do segundo turno, 46% dos eleitores dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro (PL), e 45%, em Lula (PT).


Há duas semanas, os índices eram 46% a 43%, respectivamente. O presidente seguiu com a mesma taxa na rodada seguinte, e o senador oscilou para 44%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos do levantamento.

Quando considerados também os eleitores que não votam nem em um nem no outro, a rejeição dos dois é igual, de 48%.

Ao longo de todo o primeiro turno foi assim, com os rivais alternando posições eventualmente. O acirramento da polarização que ganhou ares de definitiva no pleito de 2018, vencido pelo pai de Flávio, o então deputado Jair Bolsonaro, cristalizou-se.

Com efeito, não houve espaço para rivais, com todos somando 7,81% dos votos válidos na primeira rodada. O candidato que ficou em terceiro lugar, Augusto Cury (Avante), somou 2,89% dos válidos -ele, a exemplo de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), declararam voto no senador agora.

Neste segundo turno, a agressividade de lado a lado escalou na propaganda eleitoral gratuita, coalhada de inserções de ataques mútuos, e atingiu o ápice no primeiro debate de TV entre Lula e Flávio, realizado no domingo (18) na Band.

O evento foi criticado por observadores como excessivamente agressivo, pautado pela insistência de Flávio de não responder a questões e acossar fisicamente Lula no palco, a exemplo do que fizera em 2016 o americano Donald Trump ao debater com a democrata Hillary Clinton, a quem derrotou.

A troca de acusações e a falta de discussão de propostas apela à manutenção desses números de rejeição, mas parece de difícil atratividade aos poucos eleitores indecisos ou pendulares -que tendem, segundo analistas políticos, a se afastar daquele que for mais agressivo.

O Datafolha ouviu 2.520 eleitores de terça (20) a quinta (22), em um trabalho encomendado pela Folha e pela TV Globo registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-09709/2026.

Avaliação

A pesquisa Datafolha mostra também que Lula registra uma avaliação negativa de seu governo por parte de 39% dos eleitores. Já 36% dizem considerar a gestão boa ou ótima, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.

Outros 24% declaram achar o governo regular regular. Em relação à imagem pessoal do mandatário, 49% aprovam o petista, e 48% o desaprovam, também uma igualdade na margem.

Os índices ficaram estáveis em relação à última rodada do levantamento.

O petista tem lutado contra os piores índices de avaliação nos seus três mandatos à frente do Planalto.

Com a subida gradual de Flávio no final da campanha de primeiro turno, o presidente acelerou a abertura da caixa de bondades eleitorais. Segundo cálculo feito pela Folha, elas já atingiram quase R$ 290 bilhões, neste ano e em 2027, em impacto, algo que pressiona a já frágil situação fiscal do país.

Só neste segundo turno, Lula anunciou aumento de programa para estudantes, antecipou o pagamento de parcelas do recém-reajustado Bolsa Família, divulgou pacote para microempreendedores individuais e zerou as contribuições federais sobre combustíveis.

Além disso, obteve uma importante vitória política ao ver aprovada, na semana passada, a mudança constitucional que trocou a escala 6x1 pela 5x2 em dias trabalhados. O tema, ainda que seja controverso dadas as particularidades de diversos setores, é amplamente aprovado pela população.

Em relação à sua imagem pessoal, ele também a expôs no primeiro debate direto com Flávio, realizado na Band no domingo (18). A discussão foi em tom altamente agressivo, com o senador pelo Rio buscando incomodar fisicamente o presidente, sendo pontuada por trocas de acusações e pouca discussão programática.

Esse confronto pode afastar parte dos eleitores que consideram o presidente regular, grupo que, em certa medida, pode reunir indecisos no dia da votação, em um pleito a ser decidido nos detalhes. Quem avalia mal o governo ou reprova Lula acaba sendo a mesma pessoa que diz não votar nele de jeito nenhum, afinal.

Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/datafolha-48-rejeitam-lula-e-flavio-bolsonaro.shtml