No evento, o diretor-geral da Aneel também defendeu a revisão da política de subsídios do setor elétrico - (crédito: Reprodução/ YouTube) |
''Transição energética é um grande ativo geopolítico'', diz diretor da Aneel

''Transição energética é um grande ativo geopolítico'', diz diretor da Aneel

Durante evento realizado pelo Lide, em parceria com o Correio, Sandoval Feitosa defendeu segurança jurídica para ampliar investimentos privados


Por Rafaela Gonçalves

A eletrificação da economia e a transição energética colocaram o setor elétrico no centro da estratégia de desenvolvimento do país e da disputa geopolítica global. A avaliação é do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, durante o segundo painel do 8º Brasília Summit, promovido pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais em parceria com o Correio Braziliense. O debate teve como tema A Segurança Jurídica e o Desafio da Infraestrutura no Brasil.

Segundo Feitosa, o setor elétrico atravessa uma transformação sem precedentes. "O setor de eletricidade no mundo e no Brasil tem passado por constantes e importantes mudanças. Definitivamente, entramos na era da eletricidade", afirmou.

O diretor destacou que a eletrificação avança em ritmo superior ao crescimento da demanda total por energia, impulsionada pela mobilidade elétrica, digitalização e expansão dos data centers. No Brasil, disse, cerca de 70% do potencial de eletrificação está concentrado em três segmentos: eletromobilidade, indústria e agronegócio.

"A transição energética é um grande ativo geopolítico", afirmou. Para ele, o país precisa acelerar investimentos para aproveitar a oportunidade aberta pela descarbonização da economia mundial.

Feitosa ressaltou ainda que a energia elétrica é um fator determinante para o desenvolvimento econômico. Segundo ele, a eletricidade é a principal fonte energética utilizada por cerca de 80% das indústrias brasileiras, enquanto 42% das empresas consideram que o custo da energia tem impacto alto ou muito alto sobre a produção.

O diretor-geral da Aneel também voltou a defender a revisão da política de subsídios do setor elétrico. De acordo com ele, os subsídios somam atualmente cerca de R$ 55 bilhões e continuam pressionando as tarifas. "Precisamos imediatamente rever a política de subsídios no Brasil", afirmou.

Segundo a projeção mais recente da Aneel, a tarifa de energia elétrica deverá acumular alta de 8,6% em 2026, estimativa atualizada trimestralmente pela agência. De acordo com Feitosa, parte dessa pressão decorre do crescimento dos subsídios.

Orçamento

Feitosa destacou que o fortalecimento da governança é hoje mais importante do que a ampliação dos investimentos públicos no setor. Isso porque o segmento depende majoritariamente de capital privado. "Não há recursos públicos no Orçamento Geral da União para o setor de energia. Precisamos transmitir confiança para que o setor privado invista em energia", disse.

Atualmente, cerca de 80% dos investimentos no setor elétrico são realizados por empresas privadas. Entre as distribuidoras estatais, Feitosa citou apenas a Cemig, de Minas Gerais, e a Celesc, de Santa Catarina, como exceções.

Na avaliação do diretor-geral, fortalecer o ambiente regulatório é essencial para ampliar os investimentos. Segundo ele, aproximadamente 60% da economia formal brasileira é impactada por decisões das agências reguladoras. "Precisamos fortalecer esse ambiente decisório", afirmou.

Ao defender maior segurança jurídica, Feitosa argumentou que o Brasil compete globalmente por investimentos e sugeriu ampliar a proteção institucional às agências reguladoras. "Nós competimos em escala global por investimentos. Se conseguirmos pelo menos dobrar a capacidade de investimentos no Brasil, já estaremos cumprindo o nosso papel", concluiu.

Correio Braziliense
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7474308-transicao-energetica-e-grande-ativo-geopolitico-diz-feitosa.html