Coordenador das campanhas de reeleição do presidente Lula e eleição de Fernando Haddad em São Paulo, advogado fundador do Prerrô alerta para conjunção de fatores que fazem das eleições de outubro a de risco mais alto desde a redemocratização: "A extrema-direita está aí para o tudo ou nada"
Marco Damiani
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, 49, ocupa neste momento os dois postos mais estratégicos nas disputas eleitorais do PT em 2026. Ele faz parte do comando nacional e responde pela campanha do presidente Lula em São Paulo. No estado, coordena a estratégia eleitoral do ex-ministro Fernando Haddad na disputa ao Palácio dos Bandeirantes.
"O presidente está encaminhado para a reeleição e temos em São Paulo uma chapa dos sonhos para ganhar o governo estadual e ocupar as duas cadeiras no Senado", crava o fundador do grupo Prerrô, de advogados e juristas defensores da democracia. "Precisamos ter a consciência de que essas eleições contêm o maior risco democrático desde o advento do bolsonarismo. A extrema-direita está aí para o tudo ou nada."
Brasil247_ Qual é a prioridade: Lula ou Haddad?
Marco Aurélio Carvalho_ Naturalmente, os dois. O presidente caminha para uma merecida e necessária reeleição e deve cumprir o seu quarto mandato. Lula lidera o desenvolvimento econômico do Brasil e a defesa da nossa soberania. A sociedade reconhece isso.
É uma das maiores lideranças políticas do mundo. De todos os tempos. Em São Paulo, temos uma chapa dos sonhos, com Fernando Haddad governador, Márcio França vice e as senadoras Simone Tebet e Marina Silva. Estamos oferecendo ao eleitorado paulista os mais preparados, experientes e competitivos quadros políticos do Brasil. Haddad foi o melhor ministro da história da Educação, e foi também o melhor Ministro da Fazenda. Ele vai fazer história no governo de São Paulo.
BR247_ E isso de Tarcísio gostar de ser visto como 'imbatível', mesmo só tendo disputado uma eleição?
MAC_ Como diz sabiamente o nosso querido presidente Lula, "eleição não se ganha e nem se perde na véspera". Deixa falar. Tarcísio passou quatro anos no governo sem fazer nada ou fazendo tudo errado, como a privatização da Sabesp. Liderando a economia brasileira, como ministro da Fazenda, Haddad entrega o menor desemprego de sua história. Todas as principais obras de São Paulo estão sendo feitas com investimentos do governo federal. Com a assinatura de Haddad, a gestão Lula destinou bilhões em verbas para o estado de São Paulo. Tarcísio terá muita dificuldade para nos enfrentar. A verdade aparece e as pessoas entendem. Vamos oferecer muita luta, resistência e informação verdadeira.
BRF247_ As pesquisas de opinião em São Paulo ainda mostram a vantagem do candidato bolsonarista.
MAC_ Entendo que as pesquisas confirmam um possível e aguardado cenário de segundo turno. Vai ser no mano a mano. Ganhará o melhor. Estamos empatados com Tarcísio no limite da margem de erro. É um excelente resultado.
BRF247_ Quais são os seus números hoje?
MAC_ Temos 43 % dos votos para Haddad e os demais candidatos da oposição. O outro lado tem ao redor de 47 %. Mesmo com a máquina na mão, a serviço de um projeto de poder, está patinando nas pesquisas. E a cada dia que passa, perde mais votos. Temos condições reais de vencer em São Paulo. Construímos, por aqui, o palanque mais forte, mais simbólico e mais competitivo da história das últimas eleições.
BR247_ Ao programa Boa Noite 247, o sr. disse que as eleições de outubro são as de maior risco desde o surgimento do movimento bolsonarista. Por que?
MAC_ Temos um conjunto muito perigoso de fatores associados. Um deles é a Inteligência Artificial, que pode e, muito claramente, deve confundir parte do eleitorado brasileiro. Pode, também, potencializar e multiplicar velozmente as calúnias, injúrias e difamações que costumam ser lançadas contra os candidatos do campo democrático. Em 2014, quando vencemos com a presidenta Dilma Rousseff, nem mesmo as fake news eram tão ferozmente utilizadas. Em 2018, com o impeachment no meio, o ambiente ficou ainda mais tenso, e a disputa se deu em um ambiente de muita animosidade. Já em 2022, assistimos a uma enxurrada de fake news durante todo o processo eleitoral, e elas não foram devidamente coibidas pela Justiça Eleitoral. Fomos muito prejudicados. Mas vencemos. E, sob a firme e lúcida condução de Lula, estamos reconstruindo e reconciliando um país fortemente dividido pelo ódio e pela intolerância. O quarto mandato de Lula será uma consagração, no resgate da união nacional por meio de um projeto desenvolvimento econômico forte e soberano.
BR247_ E agora, em 2026, como está a cena do ponto de vista do comando das campanhas do PT?
MAC_ Muito pior e muito mais acirrado, sem dúvida. O pleito atual é o primeiro em que a inteligência artificial estará disponível aos que pretendem tumultuar o processo eleitoral. O TSE precisa ser rigoroso no acompanhamento e no combate à má utilização destas novas tecnologias. Instrumentos para isso a Corte tem. Da nossa parte, estaremos vigilantes e alertas para fazer o enfrentamento da mentira com a verdade.
BR247_ O TSE tem hoje como presidente e vice Kássio Nunes Marques e André Mendonça, dois ministros indicados por Jair Bolsonaro. Isso preocupa?
MAC_ Esse fato não gera nenhuma suspeita da nossa parte. São juristas respeitados. E sabem, como todos nós, que eleição se ganha ou se perde no voto. Simples assim.
Mas estaremos vigilantes. Considero, por fim, que o TSE tem todos os instrumentos necessários e adequados para impedir a propagação das fake news e para garantir a lisura do pleito. Como friso, estaremos fortemente mobilizados e atentos. Eu acredito que haverá um recorde em judicializações. A extrema-direita vai usar a IA para espalhar fake news e nós iremos combater cada uma das mentiras que eles usarem contra nós. A Justiça eleitoral terá, sim, muito trabalho. E acredito, realmente, que o TSE está à altura das responsabilidades constitucionais que lhe foram atribuídas .
BR247_ O que mais soma para o alto risco sobre as eleições?
MAC_ A interferência direta que os Estados Unidos já estão tentando exercer sobre as nossas eleições vai muito além das bravatas. É uma atitude vergonhosa e muito preocupante. Desde a redemocratização do país, não tivemos nenhuma outra eleição com interferência estrangeira tão nítida e evidente. A família Bolsonaro tem atuado, com o apoio do governo americano, para boicotar o Brasil. Isso também já está claro para a sociedade, que reconhece o governo Lula como o real defensor da nossa soberania e dos legítimos interesses da nossa economia. Triste e estarrecedora a posição de de vassalagem aos americanos e aos seus interesses que Bolsonaro e sua família vem demonstrando todos os dias e em todos os momentos.
BR247_ A que o sr. atribuiu o conflito comercial iniciado pelos Estados Unidos contra o Brasil, agravado agora pelo tarifaço do presidente Trump?
MAC_ É uma ação nitidamente política, sem justificativa alguma. Uma verdadeira tentativa de interferência que ataca a nossa economia na perspectiva de produzir algum ganho eleitoral a um grupo político de extrema-direita. Repito, é uma vergonha esse conluio anti-patriótico. Felizmente, nosso time avançado de defensores do interesse nacional tem a liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin, a representatividade do chanceler Mauro Vieira, o competente aguerrimento do ministro Mário Elias Rosa, do Desenvolvimento. Acredito que a partir do próximo ano, na condição da vitória do PT e de seus partidos aliados, o relacionamento entre os Estados Unidos volte à normalidade, prestigiando os mais de 200 anos de relação de amizade. A alternativa quer que a gente se renda. Jamais.
BR247_ Para além dos desafios que o sr. mencionou, o que as eleições de 2026 representam para o Brasil?
MAC_ Enganam-se os que acham que a batalha é da esquerda contra a direita. Precisamos sim dar nome aos bois, mas por detrás dessas denominações há muito mais. Nestas eleições, dois campos estarão claramente delimitados. De um lado, a civilização. De outro, a barbárie. De um lado, a ciência. De outro, o obscurantismo. De um lado, a extrema direita.
De outro, a aliança de todo o campo democrático.
Em 2018, perdemos para o Bolsonaro. Em 2022, vencemos o Jair Bolsonaro. Agora, em 2026, temos a oportunidade histórica de derrotar o bolsonarismo e de varrer, de uma vez por todas, as ameaças de retrocesso e os arroubos autoritários do fascismo. Sorte dos que podemos contar com a disposição e a generosa disponibilidade do presidente Lula de nos liderar em tempos tão difíceis e tão desafiadores. A quarta vitória de Lula será consagradora e irá construir a união nacional. O bolsonarismo será varrido em definitivo. A história ainda há de reconhecer a grandiosidade desta luminosa liderança.
Brasil 247
https://www.brasil247.com/blog/marco-aurelio-garcia-4o-mandato-de-lula-vai-resgatar-a-uniao-nacional-bolsonarismo-sera-varrido-em-definitivo/





