De comida japonesa a pizza, vinho, passando por soft cream e sanduíches, veja como estabelecimentos pequeninos - na linha porta/calçada apostam na experiência e criatividade para atrair o público
Por Maria Clara Polcan
Em meio as avenidas, cruzamentos e ruas movimentadas de São Paulo existem pequenas portas que passam (quase) despercebidas por muitos, mas que carregam uma interessante experiência gastronômicas da cidade. A onda que já vem sendo chamada de "gastronomia das portinhas".

Janela de entrega rápida da Casa do Porco, com os sanduíches que saem da janelinha. Sanduíche de porco, misto quente e torresmo. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Uma fila pequena na calçada, um aroma que escapa pela rua e uma janela sempre aberta, entrega o endereço dos pequenos restaurantes que estão ganhando a cidade. As "portinhas" vêm redefinindo a forma de comer na capital, transformando espaços reduzidos em quase improváveis pontos de encontro. Uma espécie de confirmação de que, como diz o ditado, tamanho não é documento.
Com personalidades e propostas distintas, Paladar atento ao movimento convocou Rafael Scarpa, criador do aplicativo "Guia das Portinhas" para dar uma volta pela capital paulista. Juntos, mapeamos seis endereços de pequeninos restaurantes que mostram sabores e histórias diferentes. Entre comida japonesa, soft cream, pizza e vinhos, descubra portinhas que valem a visita.
Casa Aguiko

Dery Lima (esquerda), Edna Fumie Uyekita (meio) e Guilherme Uyekita (direita), na Casa Aguiko com um onigiri Lu Rou Fan (com detalhe de rabanete em meio ao arroz) e um onigirazu aberto de tonkatsu (carne de porco) Foto: tiago queiroz
Ao caminhar pelas travessas de Higienópolis, mais especificamente pela Rua Dona Antônia Queiroz, uma porta decorada com bandeirinhas vermelhas chama a atenção já de longe. Com uma janela ampla na entrada e uma porta que conduz a um interior charmoso, a Casa Aguiko serve algumas das mais conhecidas comidas japonesas, além dos populares e aclamados PFs que mudam a cada duas semanas.
Aberto em 2025, o comércio nasceu da união das paixões de três pessoas pela comida asiática. Edna Fumie Uyekita e Guilherme Uyekita começaram a participar de feiras em 2020, onde vendiam suas criações. Mãe e filho conheceram Dery Lima, um vendedor de kimchi dois anos depois em uma feira de cinema coreano.
A partir disso, a parceria e conexão fortaleceram. Mas foi em 2024 que Dery sugeriu a ideia de abrirem uma "portinha" para venderem suas receitas. Assim nasceu a Casa Aguiko, nome o qual reúne dois significados: "agui", que significa "neném" em coreano; e "ko", palavra usada para se referir a "filho" em japonês.
O cardápio reúne versões com carne - como o prato mais vendido da casa: o oniguiru de costela (R$16) -, mas também traz opções vegetarianas e veganas, como o Lu Rou Fan (R$16), uma releitura taiwanesa que leva abóbora, coentro, amendoim, mix de cogumelos, especiarias e conserva de rabanete da casa.
"O restaurante é uma união de família e amigos. Vendemos muitos produtos de colegas aqui na loja, além de sermos nós três que preparamos as comidas", diz Guilherme Uyekita.
Local: R. Dona Antônia de Queirós, 447| Quarta à sexta, das 11h às 15h30, finais de semana e feriados, das 12h às 16h30.
Hokka Cream

Hokka Cacoa (R$21,90) e Hokka Cream (R$21,90) Foto: Tiago Queiroz/Estadão
O Japão é conhecido pelos seus pequenos restaurantes que transmitem uma sensação única de aconchego e conforto. Foi em uma dessas viagens ao país asiático que Thiago Armentano se encantou pela experiência gastronômica, principalmente pelo soft cream japonês.
Feito à base de leite Hokkaido - conhecido pela sua alta cremosidade, sabor naturalmente mais doce e textura macia e aveludada -, a experiência com o sorvete despertou a vontade trazer a textura e sabor único ao Brasil.
Thiago se juntou a Geraldo Mattar, responsável pelo desenvolvimento das receitas e sabores, e juntos criaram o Hokka Cream.
Produzido com ingredientes simples, mas de qualidade, o sorvete soft da casa é feito com blend de leite de hokkaido e depois são adicionados os sabores variados. Os principais são o Hokka Cream (R$21,90) e o Hokka Cacoa (R$21,90).
De acordo com a estação, outros dois sabores complementam o cardápio. No verão, entram em cena o Hokka Melone (R$26), feito com melão, e o Hokka Yuzu (R$26), preparado com o tradicional limão japonês.
Local: Rua da Consolação, 3453 | Segunda a quinta, das 10h às 20h; sexta e sábado, das 10h às 21h; domingo e feriados, das 10h às 19h.
A Casa do Porco

Sanduíche de porco e misto quente servidos na janela da Casa do Porco Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Para quem passa a pé pela calçada da Casa do Porco, é quase impossível não se atrair à janela que, além de chamar a atenção pelo seu letreiro, adesivos e pintura, conquista qualquer um pelo amora da carne.
Aberto há mais de dez anos, a casa sempre teve compromisso com o acesso democrático aos pratos do restaurante, ideal difundido pelo chef e proprietário Jefferson Rueda. Como explica seu irmão, Washington Rueda: "São dois pilares que são trabalhados aqui: o primeiro é a acessibilidade em relação ao preço, e a ideia de ser um lugar democrático", diz ele.
A preocupação com o aproveitamento ao máximo do alimento é um ponto essencial e indiscutível. A carne de porco utilizada nos sanduíches vem de cortes que não são servidos diretamente ao cliente. Ainda assim, a qualidade é mantida e bem preparada, para depois ser desfiada e transformada em receio para sanduíche.
Foi a partir desses conceitos que a janelinha ganhou vida. Nela são vendidos os famosos sanduíches de porco san-zé (R$47) - homenagem a cidade natal do Rueda, São José do Rio Pardo - e também o misto quente (R$36). A opção vegetaria leva abacate, picles de cebola, maionese de tucupi, alface e tomate, saindo por R$39.
Local: Segunda a sábado, 12h às 23h; domingo, 12h às 17h
Nonna Lu doceria

Fachada do Nonna Lu Doceria, com Luana Ferracini Foto: Felipe Rau/Estadão
Foi na padaria onde seu avô trabalhava que nasceu a paixão pela confeitaria. Ainda criança, em Marília - cidade no interior de São Paulo -, Luana passava as tardes visitando seu avô no trabalho e se encantava pelos doces expostos na vitrine. Para alegrar a neta, ao fim do expediente ele sempre lhe dava algumas das delícias que passara a tarde toda vendo.
Incentivada pela família, Luana Ferracini cresceu cozinhando e desenvolvendo essa paixão pela cozinha. Já adulta e formada em arquitetura, percebeu que seu amor poderia ser profissão e começou sua longa caminhada no preparo e venda de doces.
Com o apoio de seus amigos, que a apelidaram carinhosamente de Nonna Lu - em uma referência ao aconchego e sabor de comida de vó -, Luana começou a vender seus doces por encomenda em 2021.
Finalmente em 2024, a varanda de sua casa virou palco para sua loja de doces. O muro, que antes apenas separava a casa da calçada, agora guarda as tortas doces e cheesecakes preparados pela doceira.
Para Luana, doce bom é aquele que você consegue partilhar com quem ama. "Eu gosto de fazer tortas doces para dividir e compartilhar, uma experiência completa e não individual", diz ela.
No Nonna Lu são vendidas tortas doces (R$22), cheesecake (R$22), bolo de rolo (R$55), além de tortas salgadas feitas por encomenda.
Local: Loja na Rua Dr. João Batista de Lacerda 762 | quinta, 16h às 22h; sexta e sábado, 12h às 00h; domingo, 12h às 19h
Portinha vinho e pizza

Pizza de marguerita (R$26), pepperoni (R$28), 4 formaggi (R$29) e cacau com avelã (R$26) Foto: Maria Ribeiro / Arquivo Pessoal
Do Ceará a São Paulo, Maria Ribeiro sempre teve o sonho de abrir o seu próprio negócio. Consultora tributária até hoje, a proprietária do Portinha vinho e pizza, localizada no Bixiga, afirma que seu desejo foi sempre que as pessoas aproveitassem a rua e o bairro,
Com pizzas feitas na hora, Maria comenta que a experiência aqui é tomar um vinho enquanto espera seu pedido. Com cadeiras de praia espalhadas na calçada, o ambiente é acolhedor com luzes indiretas e um cardápio que atende o gosto de todos - desde os vinhos até os sabores das pizzas.
O cardápio abrange quatro sabores de pizza, sendo: calabresa (R$ 27), pepperoni (R$28), 4 formaggi (R$29) e marguerita (R$26). As opções doces são de cacau com avelã (R$26), pizza doce de leite (R$24) e pudim de copo (R$16).
A cartela de vinhos é um pouco mais extensa, mas os mais pedidos da casa são o sauvignon blanc branco (R$22), de Portugal ou Chile, e o vinho rosé (R$23), da Argentina ou Chile.
Local: Rua Treze de Maio, 57 | quinta, 18h às 23h30; sexta, 18h às 1h; sábado, 13h às 1h; domingo, 13h às 00h
Ooey Cookie

Ooey Cookie, unidade Vila Buarque Foto: Thiago Nakano / Arquivo Pessoal
Localizada na parte inferior de um prédio residencial na Vila Buarque, a loja de cookies pode ser avistada a metros de distância. Com um toldo metálico, a Ooey Cookies tem uma estrutura que chama a atenção de quem passa em frente, tanto pelo cheiro de cookies fresquinhos, quanto da máquina utilizada para fazer os pedidos.
Antes mesmo de ganhar endereço físico, a marca já existia a seis anos, criada pelo Thiago Nakano, também conhecido como Vex. Inspirado pelas "portinhas" que viu na Holanda, o proprietário decidiu abrir a primeira loja física.
Hoje com dois endereço, um na Vila Buaque e outro em Pinheiros, a loja aposta nas receitas clássicas, como o cookie com gotas de chocolate (R$15) e o triplex (R$15), mas sem deixar de lado outra apostas como o cookie de matcha (R$17), cenoura com brigadeiro (R$19), goiabada (R$13) e pistache (R$19).
Local: Vila Buarque - Rua Aureliano Coutinho, 278; todos os dias, 12h às 18h | Pinheiros - Rua dos Pinheiro, 480; todos os dias, 11h às 22h
Serviço
Aplicativo das portinhas: guiadasportinhas.com.br
Estadão
https://www.estadao.com.br/paladar/comida/guia-das-portinhas-conheca-seis-restaurantes-com-propostas-diferentes-para-comer-em-sao-paulo/





