Comandos nacionais das duas legendas descartam a possibilidade de um "palanque duplo" para o presidente Lula em São Paulo e pregam aliança
Por Cristiane Agostine - De São Paulo
Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) articula uma aliança com o PSB já no primeiro turno, em costura feita com a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Márcio França (Empreendedorismo), dirigente nacional do PSB, pressiona por espaço na chapa de Haddad e tenta se viabilizar como candidato ao Senado, mas Lula avalia nomeá-lo como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em vaga ocupada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Como forma de garantir um lugar na chapa de Haddad, Márcio França tem insistido em manter sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, lançada no ano passado, em uma tentativa de pressionar o PT para ficar com uma das vagas para concorrer ao Senado. A dirigentes de seu partido, França disse que deve se reunir nesta semana com Lula para discutir sobre seu papel na eleição paulista. Os comandos nacionais do PT e do PSB, no entanto, descartam a possibilidade de um "palanque duplo" para o presidente Lula em São Paulo, com as candidaturas de Haddad e França, e trabalham pela aliança dos dois partidos no primeiro turno.
O PSB já tem garantida uma vaga para disputar o Senado na chapa de Haddad, com a ministra Simone Tebet (Planejamento). A outra vaga segue indefinida e é almejada por França e pela ministra Marina Silva (Rede). A vaga de vice também não foi definida, mas o PSB tem indicado ao PT que prefere o Senado.
Segundo dirigentes do PSB e do PT, Marina Silva poderia ser a vice de Haddad ou até mesmo continuar no ministério até o fim do mandato do presidente, se não conquistar um espaço na chapa do petista.
Para o comando nacional do PSB, a única condição "irrevogável" exposta a Lula e Haddad é a manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa de reeleição do presidente. Na semana passada, ao lançar a pré-candidatura de Haddad, Lula incentivou Alckmin a concorrer ao Senado para "ajudar" em São Paulo, mas o PSB rejeita essa possibilidade. Haddad também afastou essa hipótese e defendeu a manutenção de Alckmin como vice de Lula. Segundo lideranças do PSB ouvidas pelo Valor, se Alckmin for retirado da vice da chapa de Lula, a aliança entre PT e PSB nos Estados deverá ser revista.
Lideranças do PT e do PSB lembram que em 2022 Márcio França também se colocou como pré-candidato ao governo paulista e manteve-se na disputa por algumas semanas, mas depois desistiu a pedido de Lula. No governo federal, França foi nomeado para o Ministério de Portos e Aeroportos e depois foi remanejado para Empreendedorismo.
Na segunda-feira (23), em entrevista à rádio CBN, Haddad voltou a defender a união com o PSB no primeiro turno para "viabilizar uma candidatura competitiva" contra o governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"As conversas estão começando e tendem a prosperar. Márcio [França] pode colocar suas pretensões sem nenhum constrangimento", disse. "Vamos procurar agregar forças já no primeiro turno, respeitando quem pensa diferente."
Haddad disse não ter "objeção a pretensões de quem quer que seja", mas destacou a aliança entre PT e PSB em diferentes Estados do país.
O pré-candidato do PT disse que deve se reunir com Alckmin e lideranças dos partidos aliados nas próximas semanas. Na segunda-feira, na primeira reunião do "núcleo duro" da pré-campanha, Haddad definiu o deputado estadual Emídio de Souza como coordenador de seu programa de governo.
Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/03/24/franca-pressiona-por-espaco-mas-haddad-defende-uniao-entre-pt-e-psb-no-1o-turno.ghtml





