Lula com Haddad em São Bernardo do Campo: agenda no Estado culminou com o lançamento da candidatura ao governo em SP - Foto: Roberto Sungi/Ato Press/Folhapress |
Lula lança Haddad em SP e defende Alckmin ao Senado

Lula lança Haddad em SP e defende Alckmin ao Senado

Ministro da Fazenda diz que disputa em não é um 'sacrifício' e vincula candidatura ao projeto de reeleição do presidente


Por Cristiane Agostine e Laura Lopes - De São Bernardo do Campo (SP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou na quinta-feira (19) a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo e sugeriu que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) dispute o Senado para fortalecer a chapa progressista no Estado. O evento foi realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, berço político do presidente, e ganhou um caráter nacional com a presença de ministros e a vinculação da pré-candidatura de Haddad à reeleição de Lula.

Horas antes do ato para lançar sua pré-candidatura, Haddad anunciou a saída do Ministério da Fazenda e disse que era seu último dia no cargo. Lula confirmou que a Pasta será comandada pelo secretário-executivo, Dario Durigan.

O evento teve a participação de ministros e lideranças do PT, PSB, Psol, PCdoB, PV. Haddad foi recebido aos gritos de "ele é de luta, é professor, Fernando Haddad governador". Em clima eleitoral, a pré-campanha do petista exibiu em três telões o slogan "Em defesa de São Paulo, em defesa do Brasil" e a imagem de Lula e Haddad.

Ao discursar, Haddad disse que seu grupo político tem um projeto político não só para o Estado, mas também para manter Lula na Presidência, e vinculou sua pré-candidatura à reeleição do presidente. "Temos uma liderança que tem que continuar falando no palco internacional", afirmou. "Temos talvez no mundo o maior capital que poderíamos ter, que é uma liderança da estatura do presidente Lula. É muito importante apresentar Lula como a voz da sensatez, da busca da paz, igualdade, justiça social, do combate à fome, desmatamento e que não está sendo dito por ninguém", disse.

Haddad não citou o nome de seu principal adversário na disputa paulista, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com um discurso nacional, o ministro afirmou que é preciso barrar o avanço da extrema-direita no país. "Onde a extrema-direita governa é um descalabro", disse. "Temos que trabalhar muito para não deixar as coisas planejadas pelo outro lado acontecerem."

Haddad negou que esteja indo para o "sacrifício" na disputa pelo governo ou que esteja "barganhando" algum cargo no futuro, como um ministério. "É um grande privilégio lutar ao lado de vocês", disse. O ministro afirmou que "nunca fez da política" sua profissão. "Mas sempre fiz minha razão de vida cidadã. Tenho vida privada, mas tenho vida pública e penso nos filhos de vocês", disse.

Depois de ter perdido em três eleições seguidas - 2016, 2018 e 2022 - Haddad disse que "você pode ter uma derrota eleitoral em qualquer eleição, mas não precisa ter uma derrota política", e que é preciso "ir para o embate."

Ao lado de Haddad, Lula disse ter ficado feliz que o ministro aceitou a missão de ser candidato. O presidente destacou a capacidade de articulação política de Haddad e disse que ele ajudou o governo a aprovar no Congresso quase 80% dos projetos. "A capacidade negocial de Haddad com o Senado e a Câmara, seja com Rodrigo Pacheco ou Davi Alcolumbre, seja com Arthur Lira ou com Hugo Motta, foi acima da média."

Lula elogiou Alckmin e disse que ficaria "imensamente feliz" em tê-lo novamente na vice para disputar a reeleição. No entanto, afirmou que o atual vice-presidente poderia ser candidato ao Senado e defendeu que ele negocie com Haddad onde poderá ajudar mais na disputa paulista. "Ainda falta Alckmin decidir o que ele vai ser. Ele precisa negociar com Haddad", afirmou o presidente. "A vaga de vice-presidente está aberta para Alckmin, mas tem que avaliar o que é melhor [para São Paulo]."

Para a outra vaga ao Senado, o presidente reforçou a candidatura da ministra Simone Tebet (Planejamento), que atualmente está no MDB e deve ir para o PSB.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que Haddad assumirá uma "missão" e nacionalizou a disputa paulista. "Apresentamos Haddad para governar São Paulo em sintonia com o país".

Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos, Geraldo Alckmin disse que vai percorrer o Estado para "ouvir o povo, críticas, sugestões, propostas". "Escrevam aí: Haddad vai ganhar", disse. "Vamos sair dessa inércia hoje de São Paulo para um projeto humanista, com sentimento", afirmou.

Entre os presentes estavam os ministros Camilo Santana (Educação), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Luiz Marinho (Trabalho) e o secretário-executivo do Ministério da Saúde Adriano Massuda.

Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/03/20/lula-lanca-haddad-em-sp-e-defende-alckmin-ao-senado.ghtml