A ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deixará o cargo - Foto: Reprodução |
Tebet acerta com Lula mudança para São Paulo e deve disputar o Senado

Tebet acerta com Lula mudança para São Paulo e deve disputar o Senado

Ministra conversou com o presidente durante viagem ao Panamá e definiu que deixará a pasta do Planejamento


Por Sérgio Roxo - Brasília

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, acertou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mudança do seu domicílio eleitoral para São Paulo. Pelo plano projetado pelo entorno do petista, Tebet disputará o Senado em uma chapa que teria o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concorrendo ao governo do estado.

Lula e Tebet conversaram sobre o cenário eleitoral durante viagem ao Panamá nesta semana para participar do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).

A ministra tem até 4 de abril para transferir o seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, seu estado de origem e por onde já foi senadora, para São Paulo. Ainda não está definido se a ministra mudará de partido. Tebet recebeu convite para trocar o MDB pelo PSB.

Lideranças petistas de São Paulo ainda alimentam, porém, a possibilidade que ela possa concorrer ao Senado pelo seu atual partido. Mas no estado o MDB está compretido com o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na disputa municipal de 2024 foi um importante cabo eleitoral do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). A aliança firmada na época teve a participação do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi.

Nesta sexta-feira, a ministra foi perguntada, após participar de um evento em São Paulo, sobre a possibilidade de transferir o seu domicílio eleitoral para o estado.

- Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. Porque o presidente avalia que sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura. Discutimos com o presidente apenas a minha candidatura ao Senado Federal. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada - respondeu.

Tebet revelou que terá uma segunda conversa com Lula antes do carnaval para continuar a discutir a sua situação política e chegar a uma definição.

No entorno do presidente, há uma avaliação de que Tebet deve mudar para São Paulo não só porque sua candidatura ao Senado é viável eleitoralmente, mas também porque o cenário político para ela no Mato Grosso do Sul é complicado. O MDB faz parte do governo de Eduardo Riedel, que trocou o PSDB pelo PP e se aproximou do bolsonarismo.

Depois do apoio dado a Lula no segundo turno da eleição presidencial de 2022, Tebet teve a sua imagem desgastada no estado, onde Bolsonaro venceu o petista na etapa final da eleição por 59,49% a 40,51% dos votos válidos. Deputados estaduais do MDB do Mato Grosso do Sul não gostariam de disputar tendo a ministra, hoje com a imagem atrelada, tendo a ministra na chapa ao Senado.

Em São Paulo, o palanque de Lula ainda não está totalmente definido. Haddad vem resistindo em declarações públicas à possibilidade de concorrer ao governo. Há uma aposta, porém, que o ministro da Fazenda vai ceder aos apelos do presidente e à pressão do PT, já manifestada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, entre outros.

- Eu, particularmente entendo, que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, de levar inclusive para um segundo turno, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Não entramos em detalhes (sobre isso). Estou aqui apenas externando uma mera opinião - disse Tebet, nesta sexta-feira.

Mas há no campo de centro e de esquerda em São Paulo quem enxergue que Tebet teria um perfil mais adequado para disputar o governo do estado. Pesquisas encomendadas por Felipe Soutello, marqueteiro da campanha da emedebista a presidente em 2022, apontam que a atual ministra do Planejamento seria uma adversária que imporia mais dificuldade para Tarcísio do que Haddad e Alckimin. O levantamento, feito sem consulta prévia à ministra, foi enviado para a cúpula do governo.

O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/01/30/tebet-acerta-com-lula-mudanca-para-sao-paulo-e-deve-disputar-o-senado.ghtml