Em entrevista ao Jornal da CBN, Gaspard Estrada, membro da Unidade do Sul Global da London School of Economics, também falou da importância das eleições de meio de mandato e das relações Brasil-EUA.
O segundo mandato do presidente Donald Trump completa um ano nesta terça-feira (20). Ao longo de 12 meses, o republicano promoveu um amplo tarifaço global, autorizou ataques militares e chegou a ameaçar países aliados.
Em entrevista ao Jornal da CBN, Gaspard Estrada, cientista político e membro da Unidade do Sul Global da London School of Economics, explicou que a política econômica adotada por Trump acabou gerando efeitos negativos para a própria população norte-americana.
"Essas tarifas foram aplicadas de maneira descoordenada, de maneira, eu diria, abusiva pelos Estados Unidos a outros países, acabou tendo um prejuízo para o próprio consumidor americano, no sentido que o preço do café, o preço dos sucos aumentou. Por isso que hoje as pesquisas de opinião mostram que se a eleição de legislativa acontecesse hoje, os republicanos virariam minoria."
No campo internacional, o especialista destaca uma sucessão de crises diplomáticas. A mais recente envolve a proposta do governo dos EUA de assumir o controle da Groenlândia. De acordo com Estrada, a postura de Donald Trump tende a privilegiar a lógica da força no lugar da negociação.
"Podemos esperar uma vontade do presidente americano de dobrar a aposta. É evidente que a linguagem que Donald Trump entende é a linguagem da força, não da negociação, não da persuasão, não dos argumentos, mas mais um linguagem mais bruta e direta. Infelizmente hoje em dia há muito medo nas esferas do poder a respeito da capacidade de Donald Trump de provocar crises e isso está muito presente hoje na Europa."
O cientista político também destacou a importância das eleições de meio de mandato, previstas para este ano. Segundo ele, o resultado será decisivo para medir o grau de aprovação da população às políticas do presidente.
"Se os republicanos perderem esta eleição de meio mandato é evidente que isso vai ser traduzido politicamente como um sinal de desaprovação dos americanos a política que tem sido conduzida pelo presidente Trump. Do ponto de vista mais político legal vai ser mais difícil para a administração republicana levar adiante alguns projetos inclusive no plano da defesa."
Relações Brasil-EUA seguem incertas
As relações entre Estados Unidos e Brasil passaram por mudanças desde o início do mandato de Trump e agora o cenário é de incerteza. Para Gaspard Estrada, a imprevisibilidade do presidente americano exige cautela, especialmente em um ano marcado por eleições presidenciais no Brasil."A mudança de humor do presidente americano é uma coisa muito real e nós assistimos isso na própria relação bilateral Brasil-Estados Unidos tendo em conta que teremos uma eleição presidencial muito importante no Brasil em outubro. Essa relação vai ter que ser acompanhada de muito perto porque é evidente que haverão atores políticos e econômicos que vão tentar influir no presidente americano a favor dos seus interesses."
CBN
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