As forças armadas dos Estados Unidos apreenderam, com ajuda do Reino Unido, um petroleiro de bandeira russa perseguido por Washington há vários dias após fugir de bloqueio na Venezuela. Informação foi confirmada pelo Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA. Depois, a Rússia informou que perdeu o contato com a embarcação.
O que aconteceu
Navio está sob controle do Departamento de Segurança Interna dos EUA. Operação teve o apoio das Forças Armadas, do Departamento de Justiça e do Departamento de Defesa.Reino Unido diz que ajudou na apreensão do petroleiro após pedido do governo Trump. O secretário de Defesa do país, John Healey, afirmou que as Forças Armadas participaram da operação e disse que o navio "faz parte de um eixo russo-iraniano de evasão de sanções que alimenta o terrorismo".
Britânicos ofereceram suporte aéreo de vigilância à operação, afirmou o secretário. Segundo o canal britânico BBC, aeronaves americanas partiram do Aeroporto de Wick, na Escócia, em direção a Reykjavik, na Islândia. Dados de sites de rastreamento de voos mostram a movimentação na manhã de hoje. Além disso, informações de navegação mostram que o petroleiro fez uma curva acentuada à direita no Atlântico Norte no início da manhã, apurou o NYT.
Um navio-tanque de bandeira britânica também prestou apoio logístico às forças americanas. A ação, com suporte do RFA Tideforce, foi feita em "total conformidade com o direito internacional", afirmou o Ministério da Defesa.
Rússia confirmou apreensão e disse que governo perdeu contato com o navio. Em comunicado do Ministério dos Transportes, o país afirmou que as forças americanas embarcaram no navio em uma parte do oceano que não pertence a nenhuma nação.
Tripulação do navio será levada para os EUA. Segundo a secretária de imprensa dos EUA, Karoline Leavitt, existe uma "ordem judicial de apreensão" contra a embarcação, e os tripulantes podem ter que responder a acusações em território americano.
Anteriormente chamado Bella 1, a embarcação navegava com bandeira da Guiana. Ela foi alterado para Marinera e passou a usar bandeira russa, segundo a BBC.
Navio se aproximava do Mar da Noruega quando foi interceptado, segundo informações de serviços de monitoramento. Um mapa divulgado pelo The New York Times mostra que o último sinal da embarcação, emitido às 10h38 (horário de Brasília), é em um ponto no meio do oceano, entre a Islândia e o Reino Unido.
Bloqueio ao petróleo da Venezuela segue "em pleno vigor". "O bloqueio ao petróleo venezuelano, tanto o autorizado quanto o ilícito, permanece em pleno vigor - em qualquer lugar do mundo", escreveu o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth.
Rússia pede tratamento 'digno' a tripulantes
Ministério das Relações Exteriores pediu que cidadãos a bordo do navio tivessem tratamento "humano e digno". Em pronunciamento divulgado pela agência de notícias Tass, o governo russo disse que os EUA "não podem impedir a volta dos russos que estavam na embarcação para casa".A Rússia também acusou os EUA de quebrarem o direito marítimo, mencionando uma convenção da ONU de 1982. "Nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados", diz trecho do comunicado.
A operação no Atlântico Norte ocorreu poucas horas após a Rússia enviar ao menos um submarino para escoltar a embarcação. EUA tentavam apreendê-lo há duas semanas para "interromper o mercado ilícito" da venda do combustível fóssil no mundo, segundo o jornal Wall Street Journal.
Não havia embarcações russas nas proximidades do Marinera quando a Guarda Costeira dos EUA abordou o navio. Informação foi apura pelo jornal The New York Times com dois oficiais americanos.
Outro petroleiro 'clandestino' foi apreendido no Caribe
In a pre-dawn action this morning, the Department of War, in coordination with the Department of Homeland Security, apprehended a stateless, sanctioned dark fleet motor tanker without incident.
- U.S. Southern Command (@Southcom) January 7, 2026
The interdicted vessel, M/T Sophia, was operating in international waters and. pic.twitter.com/JQm9gHprPk
Outro petroleiro foi interceptado no Caribe e está sendo levado para os EUA. O chamado M/T Sophia, estava ostentando falsamente uma bandeira camaronesa, informou o Comando Sul, das Forças Armadas dos EUA, no X. O navio seria "apátrida, pertencente à frota clandestina, que operava sem autorização".
Navio faz parte do grupo de petroleiros que, proibidos de deixarem a Venezuela, "sumiram" dos radares. Ao menos 16 das embarcações sancionadas pelos EUA deixaram a costa venezuelana desde sábado.
Sophia transportava aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo bruto. Informação foi obtida pela CNN Internacional em entrevista com Emmanuel Belostrino, gerente sênior de dados do mercado de petróleo bruto da empresa de análise Kpler. "O navio M Sophia está carregado com cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto Merey, provenientes do Terminal Petrolífero de Jose (JOT) entre 26 e 29 de dezembro, conforme confirmado por imagens de satélite e relatórios portuários consultados pela Kpler", disse Belostrino.
Venezuela estaria colaborando com os EUA e pediu para petróleo apreendido fazer parte de acordo. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou a jornalistas que Caracas "quer que o petróleo apreendido faça parte do acordo" para que Washington controle a venda de petróleo venezuelano. Trump anunciou que os EUA controlarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano no primeiro momento após acordo com Delcy Rodríguez, presidente interina na Venezuela.
Navio russo fugiu de bloqueio em 21 de dezembro
Navio era perseguido por Washington desde que burlou o bloqueio. A fuga frustrou uma tentativa de abordagem da Guarda Costeira dos EUA em 21 de dezembro.A emissora estatal russa RT publicou hoje imagens de um helicóptero se aproximando do Marinera. Reportagem diz que "parecia que as forças americanas estavam tentando embarcar". O UOL não conseguiu confirmar quando as imagens foram capturadas.
BREAKING WORLD EXCLUSIVE: RT obtains FIRST footage of Russian-flagged civilian Marinera tanker being CHASED by US Coast Guard warship in the North Atlantic https://t.co/sNbqJkm5O5 pic.twitter.com/XtbBML3a6j
- RT (@RT_com) January 6, 2026
Antes da apreensão, Rússia havia dito que petroleiro era "nosso navio". Em entrevista à agência russa Tass ontem, o Ministério das Relações Exteriores disse Moscou estava acompanhando de perto a "situação anormal" em torno do Marinera.
O navio Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1, está oficialmente listado como vazio. O petroleiro conseguiu deixar as águas da Venezuela mesmo sob sanção dos EUA, afirmou o Wall Street Journal, citando fontes ligadas ao Exército.
A embarcação está sancionado pelos EUA desde 2024, quando ainda era chamado de Bella 1. A embarcação, que tinha registro no Panamá, era suspeita de operar uma "frota fantasma" de petroleiros que transportavam petróleo ilícito entre a Rússia, Irã e Venezuela.
Pouco tempo depois ele apareceu no registro oficial de navios da Rússia com um novo nome: Marinera. A própria tripulação também pintou uma bandeira russa improvisada em seu casco, em uma tentativa de reivindicar proteção diplomática de Moscou e dificultar uma eventual apreensão.
A Rússia havia apresentado um pedido diplomático exigindo que a marinha americana parasse de perseguir o navio. A informação foi veiculada no mês passado pelo jornal The New York Times. Sob status russo, os trâmites legais para a apreensão do petroleiro podem se tornar mais complexos, acreditam veículos de imprensa dos EUA.
A escalada da ameaçada contra petroleiros ocorre em meio à detenção do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 16 navios petroleiros sancionados pelos Estados Unidos conseguiram deixar a Venezuela após a ação americana que prendeu o presidente deposto. Proibidos de sair do território venezuelano, os navios "sumiram" dos radares e estão em fuga.
*Com AFP
Uol
https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/01/07/eua-tenta-apreender-petroleiro-russo-no-atlantico.htm




