Especialistas divergem sobre a necessidade de jejum antes de realizar um exame de sangue - Foto: Pexels |
É realmente importante sempre fazer jejum antes do exame de sangue? Novo estudo com 100 mil pessoas diz que não; entenda

É realmente importante sempre fazer jejum antes do exame de sangue? Novo estudo com 100 mil pessoas diz que não; entenda

Pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine examinou quase 10 milhões de resultados

Por O GLOBO - Rio de Janeiro


No Brasil, o jejum é algo requerido e costumeiro para quem vai fazer um exame de sangue. Muitas clínicas pedem que ele dure entre 8 a 12 horas antes da coleta. Um novo estudo investigou se isso é mesmo necessário, e os resultados sugerem que não.

A pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine analisou 9.755.547 resultados de exames, referentes a 101.148 pacientes e abrangendo 372 tipos de exames. Todos os resultados foram obtidos a partir de amostras de sangue de pacientes ambulatoriais, coletadas em um único hospital universitário de atenção secundária na região metropolitana de Seul, na Coreia.

Com base no tempo decorrido desde a última refeição, a equipe dividiu os pacientes em três categorias principais de duração do jejum: menos de 8 horas, de 8 a 12 horas e mais de 12 horas. Para descartar diferenças na saúde dos pacientes como causa, compararam os mesmos indivíduos em visitas separadas, cada uma com uma duração de jejum diferente.

Os hemogramas, marcadores da função renal, eletrólitos e a maioria das enzimas hepáticas apresentaram os mesmos resultados, independentemente do tempo de jejum dos pacientes. Foi demonstrado que na maioria dos testes, o jejum de algumas horas ou de um período muito mais longo teve pouca diferença clínica.

"Nossa análise abrangente sugere que a maioria dos exames de sangue de rotina é minimamente afetada pelo jejum de curta duração, e que o jejum superior a 12 horas não esteve associado a diferenças adicionais significativas em nenhum dos exames analisados", escrevem os autores do estudo. "Essas descobertas sugerem que as exigências tradicionais e rígidas de jejum podem merecer uma reavaliação."

Essas regras rígidas de jejum surgiram, inicialmente, de preocupações de que a alimentação dos pacientes pudesse comprometer a precisão clínica. Os resultados de exames de sangue frequentemente embasam decisões médicas importantes, e algumas medições são, de fato, significativamente sensíveis a variáveis ​​que ocorrem antes do exame, como a ingestão de alimentos.

Para minimizar essa variabilidade, os profissionais de saúde começaram a orientar amplamente os pacientes a jejuar por um período de oito a 12 horas antes da coleta de sangue - "uma prática que teve origem nos exames de lipídios e glicose", explicam os pesquisadores, "mas que agora é aplicada rotineiramente a painéis de exames muito mais abrangentes".

O novo estudo demonstrou que entre 121 exames laboratoriais de rotina, apenas alguns exigiram jejum para serem precisos. São eles: níveis de glicose, triglicerídeos, enzimas hepáticas e lipase, que estavam visivelmente mais elevados quando os pacientes jejuaram por menos de 8 horas.

Com jejum inferior a 8 horas, a glicemia foi 10,8% maior, os triglicerídeos 20,1% maiores e a lipase, uma enzima digestiva pancreática, 36,4% maior. A glicemia diminuiu progressivamente, em cerca de 4,3 mg/dL para cada hora adicional de jejum.

Eles também descobriram que o jejum de 8 a 12 horas ou superior a 12 horas não apresentou diferença clínica significativa nos resultados dos testes. A opção de estender o jejum além de 12 horas não contribuiu para a precisão dos resultados e, ao contrário, causou desconforto desnecessário aos pacientes.

Assim, os pesquisadores propuseram substituir uma regra de jejum única para todos por requisitos específicos para cada teste, visto que a duração do jejum era relevante apenas para alguns deles.

O Globo
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