Empresário gaúcho trouxe Moto Morini ao Brasil, com uma coincidência de sobrenome
Por Guilherme Guerra - São Paulo
O gaúcho Fabricio Morini não tem parentesco com os fundadores da marca italiana Moto Morini, criada em 1937 em Bolonha. Mas foi o sobrenome homônimo, somado à paixão por motociclismo, que o ajudou a convencer o grupo chinês Zhongneng, controlador da companhia há oito anos, a trazer a fabricante para o Brasil em 2023.
"O sobrenome foi uma feliz coincidência", afirma o administrador, que preside a operação brasileira da marca. "Mas eu acredito que tudo tem uma razão de ser."
Morini aposta numa estratégia diferente da global para emplacar as vendas de motos no país. A companhia fez sua estreia no Mercado Livre em agosto, tornando-se a primeira empresa de motos no Brasil a comercializar modelos pelo marketplace.
A fabricante usa a plataforma para fazer a pré-venda da AlltrHike 450, modelo mid-trail de 44 cavalos voltado para uso on e off-road. A expectativa é reservar 900 unidades até outubro, quando começa o despacho, e faturar quase R$ 35 milhões no período.
A entrada no Meli acontece em meio a uma expansão acelerada no Brasil, também pelo bom e velho varejo físico. A rede abriu a primeira loja em São Paulo em julho do ano passado. Desde então, soma oito unidades no país e mira chegar a cerca de 20 até o fim de 2027, com faturamento previsto para saltar de R$ 85 milhões para R$ 250 milhões.
Do lado do Mercado Livre, a aposta é consolidar o marketplace como destino também para veículos de tíquete alto. A montadora chinesa GWM já havia testado a plataforma para vender veículos elétricos, ainda que sem o modelo de pré-venda utilizado na Moto Morini. "Estamos abrindo um caminho inédito para motos premium no país", diz Alexandre Rezende, chefe de motos do Meli no país.
Essa é a segunda tentativa da Moto Morini de emplacar no Brasil. A primeira foi em 2015, mas o gaúcho acabou não convencendo o grupo, ainda controlado pelos italianos, a abrir representação no país - nessa época, quem quisesse comprar as motos tinha que importar os veículos.
A estratégia mudou depois que o grupo chinês Zhongneng pagou 10 milhões de euros pela companhia em 2018 e implementou um turnaround. Levou a fábrica da Itália para a China, mas manteve a sede em Milão, responsável pelo design e marketing das motos.
O deslocamento da produção baixou o preço de entrada de 17 mil euros em 2015 para oito mil euros, o que permitiu uma expansão internacional acelerada para 60 países desde 2022. "É o milagre chinês", diz o Morini brasileiro.
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AlltrHike 450, da Moto Morini, passa a ser vendida no país pelo Mercado Livre - Foto: Divulgação
Valor
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