O presidente Lula - Foto: Ronny Hartmann/AFP |
Lula diz em evento do PT que 'não precisa correr atrás de adversários' e prega reformas das instituições

Lula diz em evento do PT que 'não precisa correr atrás de adversários' e prega reformas das instituições

Presidente passou por procedimento em São Paulo, mas gravou vídeo que foi transmitido em evento em Brasília


Por Lauriberto Pompeu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira que a campanha presidencial do PT não deve focar em "correr atrás dos adversários". Em vídeo divulgado no encerramento do primeiro dia do Congresso do PT, realizado em Brasília, o presidente também disse ser favorável a "uma reforma nas instituições".

- O que é importante vocês declararem é que um partido que está no governo não corre atrás do adversário, é o adversário que corre atrás dele. É ele que tem que botar a bola para frente, ele que tem que botar para o adversário, ele que tem que mostrar a diferença do governo dos adversários e que o é governado por nós - disse Lula, sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal concorrente do petista segundo as pesquisas eleitorais.

Lula também falou sobre mudanças nas instituições, sem dar detalhes. A declaração acontece em meio às discussões sobre fazer mudanças no Poder Judiciário, que passa por uma crise de imagem, agravada pelo escândalo financeiro do banco Master.

- Ninguém tem defendido multilateralismo como o Brasil, ninguém tem defendido a democracia como o Brasil, ninguém tem defendido as instituições como o Brasil. Tem defendido que elas precisam de reforma, precisam, até a instituições internas no Brasil precisam de reforma, mas é importante que a gente fale com muita clareza para o povo saber o que nós estamos querendo.

O presidente está em São Paulo porque precisou ir ao hospital fazer cauterização na cabeça e infiltração por causa de tendinite na mão. Não há confirmação se ele irá participar do encerramento do evento no domingo.

No discurso feito no vídeo, Lula também disse ser necessário apresentar promessas que "sejam factíveis".

- Nós temos que mostrar com muita clareza uma proposta séria, que seja uma coisa factível, que a gente possa executar. Porque senão a gente fica prometendo e o cara: "Por que vocês não fizeram?"

O petista também voltou a criticar o uso excessivo do celular e cobrou os militantes do partido a "entregar panfleto e bater no portão das pessoas".

- Eu queria pedir à militância do PT, é muito importante o grupo de zap de vocês, é muito importante ficarem o dia inteiro passando o dedo no celular, mas nada, nada, nada supera a gente ter coragem de pegar um panfleto, andar na rua, bater com a palma no portão das pessoas e olhar no olho das pessoas. É assim que a gente faz política, não é sentado em um sofá fazendo zap. O zap é muito importante, mas a gente não vê o olho da pessoa.

Mais cedo, o presidente do PT, Edinho Silva, fez um discurso em que disse que o PT precisa "ter humildade para ouvir as dores da sociedade".

- Tem momentos na história que a gente tem que ter humildade para ouvir, para sentir o que a sociedade espera de nós. E eu não tenho nenhuma dúvida que esse é o momento que nós estamos vivenciando, é hora de nós ouvirmos o que a sociedade está dizendo para que a gente possa humildemente entender as dores e as angústias da sociedade e humildemente termos capacidade de dialogar.

Edinho também disse que o Judiciário precisa de mudanças:

- É hora de nós levantarmos a voz e defendermos a reforma do Poder Judiciário porque nós sempre defendemos que o Poder Judiciário deveria passar por reformas, que ele tinha que se aproximar da sociedade civil.

O Congresso do PT começou nesta sexta-feira e vai até domingo. O partido debate um manifesto, que servirá de base para a elaboração das propostas que serão apresentadas à campanha à reeleição de Lula.

Na quinta-feira, o diretório nacional da legenda aprovou a decisão de deixar os debates sobre a elaboração de um novo programa partidário, que estava a cargo do ex-ministro José Dirceu, para 2027, depois da eleição. A decisão foi tomada para evitar polêmicas e divergências internas, que poderiam consumir energia às vésperas do período eleitoral.

O documento articulado por Dirceu traz pontos que reforçam a pressão no Banco Central após críticas de petistas ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, e menciona posição contrária às apostas online.

Um trecho também faz menção ao banco Master, quando diz que é preciso "enfrentar o rentismo e ampliar a regulação, supervisão e transparência do mercado financeiro, fortalecendo os instrumentos de controle público e prevenindo riscos, especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master".

O manifesto que vai ser analisado no domingo, no entanto, é mais enxuto e não fala sobre o caso Master e não faz menções críticas ao Banco Central. Ele foca em tratar de reformas no Judiciário, reforma administrativa, critica o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que sem citá-lo diretamente, e reforça a posição do partido a favor de mudanças na escala de trabalho 6x1 e no debate de terras raras e minerais críticos, além de críticas ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O evento contou com pouca participação de representantes de partidos além do PT. Estiveram presentes integrantes do PSB, PDT, PV e PCdoB e nomes como os do vice-presidente Geraldo Alckmin, e do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/24/lula-diz-em-evento-do-pt-que-nao-precisa-correr-atras-de-adversarios-e-prega-reformas-das-instituicoes.ghtml