Por enquanto, as conversas sobre a venda de uma fatia ou até a totalidade do braço siderúrgico têm sido conduzidas pela própria companhia, que em breve deve contratar um banco para assessorá-la
Por Mônica Scaramuzzo e Stella Fontes, Valor - São Paulo
A Companhia Siderúrgica NacionalCotação de Companhia Siderúrgica Nacional (CSNCotação de CSN) fez contatos informais com concorrentes para sondá-los sobre o potencial interesse em seu negócio de aço, apurou o Valor. Segundo duas fontes, o grupo de Benjamin Steinbruch poderá vender até 100% de sua operação siderúrgica, dentro do plano de revisão estratégica de ativos colocado em curso na segunda metade do ano passado.
Por enquanto, as conversas sobre a venda de uma fatia ou até a totalidade do braço siderúrgico têm sido conduzidas pela própria companhia, que em breve deve mandatar um banco para assessorá-la nesse desinvestimento.
A CSNCotação de CSN anunciou neste mês que pretende vender entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em ativos com o objetivo de reduzir sua alavancagem financeira. Na ocasião, a companhia limitou-se a informar que iria avaliar alternativas e rotas estratégicas, o que poderia passar por alguma parceria, na área de siderúrgia.
Em cimentos, um negócio relativamente recente no portfólio da grupo e que ganhou musculatura mediante uma série de aquisições nos últimos anos, a CSNCotação de CSN informou que o plano é vender o controle. O Morgan Stanley está assessorando a CSNCotação de CSN nessa frente.
O grupo também disse que pretende vender uma "fatia relevante" de seus ativos de infraestrutura. Segundo uma fonte ouvida pelo Valor, a ideia, neste caso, é de desfazer de 20% a 30% da operação, trazendo um novo sócio para o negócio. Bradesco e Citibank foram mandatos para conduzir a transação.
Tanto em cimentos quanto em infraestrutura, a ambição da companhia é assinar um acordo de venda no terceiro trimestre deste ano. O Valor apurou que a CSNCotação de CSN iniciou os primeiros contatos com interessados ainda no ano passado e já tem conversas em andamento. O negócio de cimentos atraiu potenciais compradores brasileiros e estrangeiros e a fatia em infraestrutura está sendo avaliada por grupos internacionais, segundo fonte.
A estratégia do grupo é concentrar seus negócios em mineração e infraestrutura, que têm melhores perspectivas e trarão maior contribuição às margens. No caso da siderurgia, a avaliação, conforme um interlocutor, é que o negócio seguirá pressionado pelas importações, concorrendo por recursos da CSNCotação de CSN que poderiam ser direcionados a ativos mais rentáveis.
Do lado do balanço, o plano é reduzir a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), para cerca de 1 vez e dobrar o Ebitda em até oito anos.
Na semana passada, a S&P cortou a nota de crédito da companhia, agora em "B+" e com perspectiva negativa (de novo rebaixamento em 12 meses), devido à alavancagem persistentemente elevada.
Para 2026 e 2027, a agência de classificação de risco projeta para a companhia dívida líquida equivalente a mais de 5 vezes o Ebitda, com possibilidade de redução, sem considerar a potencial venda de ativos, somente a partir de 2028. Com os desinvestimentos em cimentos e infraestrutura, o grupo poderia reduzir sua dívida em cerca de um terço até 2027, pelos cálculos da S&P.
Em setembro, a alavancagem financeira da CSNCotação de CSN estava em 3,14 vezes, em termos ajustados, com dívida líquida de R$ 37,5 bilhões.
Procurada, a CSNCotação de CSN não deu retorno ao pedido de entrevista.
Valor
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/01/26/exclusivo-csn-aborda-rivais-e-pode-vender-ate-100percent-do-negocio-de-siderurgia-dizem-fontes.ghtml





