Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet - Foto: Lula Marques/Agência Brasil |
Cortejada pelo PSB, Tebet falará com Lula sobre SP

Cortejada pelo PSB, Tebet falará com Lula sobre SP

Ministra vai conversar com presidente no fim do mês para definir candidatura, que pode ser ao governo ou Senado. Costura de palanque para o petista no estado demandará saída do MDB, que tende a apoiar reeleição de Tarcísio


Por Jeniffer Gularte - Brasília

Cortejada por aliados de Lula para compor uma candidatura em São Paulo e com um convite em mãos do PSB para assumir a empreitada, a ministra Simone Tebet (Planejamento) tem uma conversa marcada no fim do mês com o presidente para definir o futuro político.

O encontro contempla o desejo do Palácio do Planalto de montar um palanque forte no maior estado do país, com 33,5 milhões de eleitores, para a tentativa de reeleição do chefe do Executivo.

Ser candidata em São Paulo, no entanto, pode representar a saída de Tebet do MDB, partido ao qual está filiada há 27 anos. A legenda comanda a capital com o prefeito Ricardo Nunes e apoia a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), dois nomes que estarão ao lado da candidatura presidencial de oposição.

Lula pediu a conversa a sós com a ministra quando estiveram juntos no fim do mês passado em Foz do Iguaçu (PR), durante a Cúpula do Mercosul. A volta a Brasília foi no mesmo voo, momento em que combinaram de discutir já no início de 2026 o papel eleitoral.

Tebet já avisou seu grupo político que estará com Lula na disputa presidencial e que topará o desafio que ele propuser. Procurada, ela não se manifestou.

Aliados do presidente enxergam a ministra como um nome competitivo para disputar uma vaga majoritária nas eleições de São Paulo, seja como candidata ao Senado, vice ao governo ou até mesmo cabeça de chapa se o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e o vice-presidente Geraldo Alckmin não toparem a missão.

Para o entorno de Lula, a titular do Planejamento, por estar ao centro, teria capacidade de agregar um eleitor que não vota tradicionalmente no PT.

- Ela tem bom desempenho no debate público e compôs o governo num ministério importante. O MDB perde a oportunidade de não usá-la dessa maneira. Se ela enxergar que tem outro partido que ofereça condições para ser candidata, é uma grande aliada e com potencial em São Paulo, seja para o governo ou o Senado - diz o presidente do PT no estado, o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP).

Com as portas abertas, Tebet já tem em mãos um convite do PSB caso decida deixar o MDB e se lançar por São Paulo.

- Foi feito o convite. Tebet seria muito bem-vinda. O partido quer crescer no Senado e na Câmara e precisa ter nomes consistentes e com projeção nacional - diz o presidente do PSB em São Paulo, Caio França.

Aliados da ministra admitem a possibilidade de mudança de legenda, algo que já foi descartado por ela no passado. Segundo eles, não há hipótese de Tebet ir para o PT, mas o PSB é visto como um partido viável. Em outubro, Alckmin, integrante da sigla, afirmou que ficaria "honrado" em ter Tebet como correligionária.

A ministra já tem até feito gestos em direção ao PSB e ampliado a interlocução com nomes da sigla. No final do ano passado, recebeu a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) para uma conversa a sós no gabinete. A parlamentar é uma das responsáveis pela aproximação da chefe do Planejamento com a legenda.

A definição da posição de Tebet em São Paulo dependerá da palavra final de Lula, dentro de uma decisão guiada por pesquisas que já vêm sendo feitas. Aliados ponderam que o presidente não baterá martelo sem analisar a viabilidade eleitoral da ministra e de outros nomes cotados para a disputa no estado, casos de Haddad, Alckmin e dos ministros Márcio França (Empreendedorismo) e Marina Silva (Meio Ambiente). Na hipótese de mudança de partido, o presidente do PSB, João Campos, também terá papel fundamental na equação.

Relação histórica


Caso seja esse o caminho, Tebet estará em lado oposto ao do atual o partido. O presidente estadual do MDB, Rodrigo Arena, está organizando o apoio à reeleição de Tarcísio. Na prática, emedebistas não veem chance de a ministra disputar o Senado por São Paulo pela sigla com apoio de Lula. A permanência no MDB significaria buscar um novo mandato de senadora pelo Mato Grosso do Sul, cadeira para a qual foi eleita em 2014, em um mandato que já se encerrou.

- A Simone é uma grande companheira, mas para o governo e Senado avaliamos o governador Tarcísio como competente e temos muito orgulho do Ricardo Nunes. É uma dobradinha que está dando certo. Vamos seguir essa tendência - afirma Arena.

Um ponto que torna essa troca complexa, no entanto, é a boa relação pessoal de Tebet com Baleia Rossi, presidente nacional do MDB. Em 2022, o dirigente foi o principal fiador da candidatura presidencial de Tebet, empreitada que a alçou nacionalmente. Há ainda um vínculo familiar: o MDB foi a legenda de seu pai, Ramez Tebet, que presidiu o Senado e governou o Mato Grosso do Sul.

O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/01/16/tebet-recebe-convite-do-psb-avalia-candidatura-em-sao-paulo-e-vai-conversar-com-lula-para-definir-futuro.ghtml